quinta-feira, 5 de maio de 2016

Portugal oficializa a lei que concede cidadania originária a netos de portugueses


Portugal oficializa a lei que concede cidadania originária a netos de portugueses




ODiário da República de Portugal publicou hoje, quarta-feira (29 de julho), a Lei Orgânica 9/2015, sétima alteração à Lei n.º 37/81, de 3 de outubro (Lei da Nacionalidade), que estende a nacionalidade portuguesa originária aos netos de portugueses nascidos no estrangeiro.

Confira abaixo o excerto do 1.º artigo da Lei da Nacionalidade com a nova redação:

“Artigo 1.º

1 — São portugueses de origem:

(…)
d) Os indivíduos nascidos no estrangeiro com, pelo menos, um ascendente de nacionalidade portuguesa do 2.º grau na linha reta que não tenha perdido essa nacionalidade, se declararem que querem ser portugueses, possuírem laços de efetiva ligação à comunidade nacional e, verificados tais requisitos, inscreverem o nascimento no registo civil português;

(…)
3- A verificação da existência de laços de efetiva ligação à comunidade nacional, para os efeitos estabelecidos na alínea d) do n.º 1, implica o reconhecimento, pelo Governo, da relevância de tais laços, nomeadamente pelo conhecimento suficiente da língua portuguesa e pela existência de contactos regulares com o território português, e depende de não condenação, com trânsito em julgado da sentença, pela prática de crime punível com pena de prisão de máximo igual ou superior a 3 anos, segundo a lei portuguesa.”



O Intercambistas já tinha noticiado a alteração na Lei, que interessa muito aos brasileiros de descendência lusitana. Até então, os netos de portugueses nascidos no estrangeiro podiam obter a nacionalidade portuguesa derivada, isto é, a naturalização. Com esta nova lei, é permitido a todos os que venham a nascer ou tenham nascido fora de Portugal e que tenham, pelo menos, um dos avós com nacionalidade portuguesa, requisitar a nacionalidade portuguesa originária, ou seja, por extensão de forma imediata.

Esta nova lei ainda necessita de consentimento e assinatura final por parte do Presidente da República, e só depois entrará oficialmente em vigor.

Fonte: Diário da República de Portugal, Blasting News | Foto: Divulgação


TAGS brasileiros, cidadania, imigração, imigrantes, netos, portugal, portugueses

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Brasileiros e Trump: imigrantes contam por que amam(ou odeiam) empresário João Fellet da BBC Brasil em Washington


Brasileiros e Trump: imigrantes contam por que amam (ou odeiam) empresário
João Fellet - @joaofellet Da BBC Brasil em Washington

31 março 2016 Compartilhar

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Ao propor deportar todos os imigrantes sem vistos, erguer um muro na fronteira com o México e barrar a entrada de muçulmanos, o pré-candidato à Presidência americana Donald Trump despertou a ira de muitos estrangeiros que moram nos Estados Unidos.


Mas isso não impediu que imigrantes brasileiros endossassem Trump em sua vitória na primária do Partido Republicano na Flórida, resultado que o deixou bem perto de concorrer à eleição em novembro.

"Ele não é contra o imigrante, ele é contra o imigrante ilegal", diz à BBC Brasil a estudante paulista Beatriz Coppola, de 28 anos.


Registrada como eleitora republicana, Coppola votou em Trump na prévia da Flórida em 15 de março e integrou o grupo de voluntários da campanha do empresário nos arredores de Miami.

"Não temos como bancar todas as pessoas que não estão pagando impostos e estão sugando a América", justifica. Coppola se tornou cidadã americana há alguns anos e votará para presidente pela primeira vez em novembro.

A estudante pertence a um grupo minoritário – embora cada vez mais visível – de brasileiros nos Estados Unidos que professam ideais conservadores e rejeitam o Partido Democrata, dono dos votos da maioria dos imigrantes no país.

Até agora eleitores latino-americanos têm expressado preferência nas prévias pela pré-candidata democrata e ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que disputa a vaga com o senador Bernie Sanders e ganhou a primária do partido na Flórida.
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Participação recordeImage caption O empresário Francesco Paciletti se diz preocupado com o risco de atentados

O consulado do Brasil em Miami estima que 350 mil brasileiros morem na Flórida. Grande parte do grupo está em situação migratória irregular, mas o número de brasileiros legalizados e capazes de votar tem crescido.

Líderes comunitários esperam uma participação recorde de brasileiros no próximo pleito. "Com certeza a nossa comunidade fará uma grande diferença nas eleições deste ano", diz à BBC Brasil o baiano Silair Almeida, pastor da Primeira Igreja Batista Brasileira de Pompano Beach.

Só estrangeiros que obtenham a cidadania americana podem se tornar eleitores. O voto é facultativo nos Estados Unidos.

Almeida afirma que 80% dos fiéis brasileiros da igreja são cidadãos americanos e votarão em novembro.

À saída de um culto há duas semanas, a maioria dos brasileiros abordados dizia apoiar Hillary, mas alguns pregavam o voto em políticos republicanos por sua defesa de valores conservadores.

"A família é uma instituição básica da sociedade. Não podemos abrir mão do casamento entre homem e mulher", diz o autônomo Márcio Rodrigues, que mora nos Estados Unidos há 28 anos e espera que o senador Ted Cruz (Texas) se torne presidente.

As propostas de Cruz para a imigração são consideradas tão restritivas quanto as de Trump. "Como imigrante gostaria que todos os que moram aqui pudessem conseguir a cidadania, mas ao mesmo tempo é preciso fechar as portas", afirma Rodrigues. Para ele, a entrada desordenada de pessoas pela fronteira com o México gera insegurança.
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De Sanders a TrumpImage caption O pastor Silair Almeida considera Trump 'idiota' e 'preconceituoso'

Eleitor de Trump e morador de Greenacles, o empresário paulistano Francesco Paciletti se diz preocupado não só com o risco de atentados nos Estados Unidos, mas com as ameaças enfrentados por americanos no exterior.

Casado com uma americana e pai de três filhas nascidas na Flórida, Paciletti afirma que a família jamais deixou o país por temer ataques.

O empresário – que vende materiais em mármore e granito – diz ter cogitado apoiar a candidatura de Bernie Sanders, atraído pelo caráter do senador. Sanders se define como socialista-democrático e é considerado o candidato mais à esquerda na disputa.

Mas Paciletti acabou optando por Trump porque o senador "não tem tino comercial".

Para o empresário, as propostas de Trump não devem ser levadas ao pé da letra. "Não acredito que ele vá banir os muçulmanos ou que vá cobrar do México a conta dessa muralha. É uma estratégia de marketing para os pontos dele subirem e ele conquistar o povo americano."

Outros fatores citados por apoiadores de Trump como razões para votar nele são seu sucesso como empresário e sua proposta de cortar impostos.

"Não gosto do assistencialismo democrata", diz a autônoma paranaense Solange Colishesky, que também votou no empresário na primária da Flórida.

Nos Estados Unidos há quase três décadas, ela se diz entusiasta da "ideia de deixar o povo assumir mais (o poder) que o governo".

Reduzir a interferência do Estado e ampliar a autonomia dos cidadãos são dois pilares do Libertarianismo, uma corrente popular entre conservadores americanos. O grupo ficou órfão na corrida presidencial com a desistência do senador republicano Rand Paul, em fevereiro.
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Contra-ofensiva democrataImage caption A assessora jurídica Isabel Ferreira faz campanha pela democrata Hilary Clinton

Enquanto brasileiros que apoiam candidatos republicanos se tornam mais vocais, outros membros da comunidade se articulam para garantir que a Presidência continue em mãos democratas.

A assessora jurídica Isabel Ferreira, militante do partido na Flórida, lidera um grupo de voluntários que ajuda brasileiros a se cadastrar como eleitores para que possam votar em Hillary.

Ela aborda os imigrantes nas ruas ou em eventos, oferecendo auxílio para preencher formulários e entregar a documentação para o pedido de título de eleitor.

Ferreira estima que metade dos brasileiros aptos a votar nos Estados Unidos jamais se cadastraram por desinformação ou falta de interesse.

Para ela, não há nenhuma razão para que imigrantes brasileiros votem em Trump. "Muitas pessoas estão frustradas consigo mesmas, querem ser ricas e encontraram um ídolo. Mas elas não estão pisando no chão."

O pastor Silair Almeida é mais direto. "Trump é um idiota: não respeita minorias, é racista, não sabe lidar com a diversidade e levará o país ao caos se ganhar."

Almeida diz que, embora rejeite várias posições de Hillary, ela é a candidata que melhor atenderia os interesses dos imigrantes.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Rio oferece curso de língua portuguesa para imigrantes erefugiados



Rio oferece curso de língua portuguesa para imigrantes e refugiados
Capacitação
O curso de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira é oferecido pelo Pronatec

EBC


Além do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul também fecharam parceria com o governo federal e oferecem aulas do Pronatec para cerca de 400 imigrantes e refugiados


Imigrantes e refugiados que não têm o pleno domínio do português podem estudar o idioma no Rio de Janeiro. O curso de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira, oferecido pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), começou nesta segunda-feira (28).

A aula inaugural ocorreu na última quarta-feira (23), no auditório da Cruz Vermelha Brasileira. As aulas regulares estão sendo ministradas no mesmo local para os 70 alunos inscritos, três vezes por semana.

O curso é uma parceria entre Ministério da Justiça, Ministério da Educação, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, Instituto Federal do Rio de Janeiro, Comitê Estadual Intersetorial de Políticas de Atenção aos Refugiados e Migrantes (CEIPARM) e a Cruz Vermelha Brasileira.

O secretário Nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Beto Vasconcelos, explica que o objetivo do curso é fortalecer a integração social local como solução duradoura para os refugiados. Além do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul também fecharam parceria com o governo federal e oferecem aulas do Pronatec para cerca de 400 imigrantes e refugiados.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Justiça

terça-feira, 5 de abril de 2016

O seu próximo passaporte pode ser digital


(Foto: Reprodução)
O seu próximo passaporte pode ser digital

JULIANA AMÉRICO 30/03/2016 12H42 SEGURANÇATECNOLOGIATURISMO
A fabricante de passaportes e produtora de notas de banco britânicos, De La Rue, está trabalhando em uma tecnologia que tornaria o passaporte físico obsoleto, permitindo que os viajantes armazenassem seus passaportes no smartphone.

Apesar de ser uma ótima solução para as filas na alfandega e os agendamentos para a renovação do documento, alguns obstáculos precisam ser ultrapassados. Em especial aqueles que se tratam de segurança, eventuais falsificações e perda do dispositivo móvel.

Atualmente, os passaportes contêm um chip que ajuda na identificação do viajante. Especialistas em segurança cibernética lembram que um passaporte digital exigirá uma forma segura de armazenar o documento sem que ele seja copiado. Além disso, os aparelhos deverão se conectar aos leitores de passaportes.

“Passaportes sem papel são uma das muitas iniciativas que estamos trabalhando", afirmou um porta-voz da De La Rue. "Mas é um conceito que está nos primeiros estágios de desenvolvimento".

Via Fortune

segunda-feira, 14 de março de 2016

Abrigo é fechado e imigrantes devem ser orientados por secretarias no AC



Abrigo é fechado e imigrantes devem ser orientados por secretarias no AC
Somente três imigrantes continuam na Chácara Aliança em Rio Branco.
Estado não deve mais dar abrigo, alimentação ou transporte a imigrantes.




Abrigo foi fechado e imigrantes serão apenas orientados por secretarias (Foto: Quésia Melo/G1)

O abrigo para imigrantes haitianos e senegaleses, que funcionava na Chácara Aliança, em Rio Branco desde 2014, foi fechado no início deste mês. De acordo com o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre (Sejudh), Nilson Mourão, o principal motivo é a redução no número de imigrantes que usam o Acre como rota para entrar no Brasil. Ele conta que atualmente três imigrantes continuam no local, pois já estavam na chácara antes do fechamento.
saiba mais
Abrigo montado no AC só vai receber imigrantes até março, diz Sejudh
Nº de haitianos que entram no Brasil pelo Acre cai 96% em 12 meses
Apenas 8 estão em abrigo no AC que já acolheu mais de mil imigrantes

Mourão explica que, caso cheguem novos imigrantes no estado, a Sejudh e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds) vão efetuar somente o trabalho de orientação, mas não mais fornecer abrigo, alimentação ou transporte. Além disso, a chácara onde funcionava o abrigo, será devolvida ao proprietário.

"Vamos fazer as orientações nas duas secretarias e muito provavelmente nas rodoviárias, mas ainda estamos buscando o acordo. Seremos apenas um centro de referência em orientação. Quem já estava no abrigo, como esses três imigrantes, continua até sair para outro local. Agora, quem está fora nós orientamos que o abrigo está fechado, se não for assim, a gente não fecha nunca. A chácara será devolvida ao proprietário e está encerrado o abrigo", destaca.

Vistos
O Acre deixou de ser a principal rota para entrada de imigrantes haitianos no país desde que o Brasil ampliou a emissão de vistos pelas embaixadas em Porto Príncipe (Haiti), Quito (Equador) e Lima (Peru).
Abrigo chegou a receber 100 pessoas por dia, mas o cenário atual é bem diferente e local está vazio (Foto: Quésia Melo/G1)

Segundo o Itamaraty, em 28 de setembro de 2015 foi inaugurado em Porto Príncipe, em parceria entre a Embaixada do Brasil no Haiti e a Organização Mundial para a Imigração, um novo centro de atendimento para demandas de vistos de haitianos que querem ir ao Brasil.

Ainda segundo o órgão, em 2015, a média diária de vistos para haitianos foi de aproximadamente 78. As emissões de vistos têm prazos estipulados e seguem as resoluções normativas do Conselho Nacional de Imigração (CNIg).

O abrigo montado em Rio Branco, chegou a receber até 100 haitianos diariamente, mas atualmente o cenário é bem diferente e o local está vazio. "Grande parte dos imigrantes fica no estado para retirar a documentação, espera por dinheiro da família para seguir viagem, mas agora devem seguir seus caminhos, procurar emprego ou ir para o Sul", finaliza Mourão.

O panorama da imigração no Brasil


O panorama da imigração no Brasil


Marcello Casal Jr/Agência Brasil


Imigrantes haitianos: os imigrantes compõem, no Brasil, somente 0,9% da população
José Tadeu Arantes, da AGÊNCIA FAPESP


O Brasil abriga 1.847.274 imigrantes regulares, segundo estatísticas da Polícia Federal atualizadas em março de 2015. Conforme a classificação adotada pela instituição, esse total engloba 1.189.947 “permanentes”; 595.800 “temporários”; 45.404 “provisórios”; 11.230 “fronteiriços”; 4.842 “refugiados”; e 51 “asilados”.

É um grande número, mas que constitui apenas uma pequena parcela do conjunto global de imigrantes. Este alcançou o patamar dos 250 milhões em 2013.

Os imigrantes compõem, no Brasil, somente 0,9% da população. Em destinos tradicionais da imigração, como Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha e França, o percentual é da ordem de dois dígitos.

Porém o número de imigrantes no Brasil está aumentando de forma consistente. E tende a aumentar ainda mais nos próximos anos.

Três fatores contribuem para isso: o declínio da taxa de crescimento populacional brasileira (que, em conjunturas de expansão econômica, favorece a recepção de trabalhadores estrangeiros); as dificuldades econômicas e crescentes restrições à entrada de estrangeiros nos países desenvolvidos (que está reconfigurando o fluxo migratório em escala mundial, deslocando o eixo da direção Sul-Norte para a direção Sul-Sul); e a crescente presença de empresas brasileiras em outros países (que, no imaginário das populações locais, apresenta o Brasil como um horizonte de possibilidades).

“Apesar da oposição de um segmento da sociedade e da mídia, os imigrantes estão chegando, sendo contratados e trazendo ao país um conhecimento que o brasileiro muitas vezes ainda não possui”, disse a socióloga Patricia Tavares de Freitas, pós-doutoranda do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), vinculado à Universidade de São Paulo (USP).

Freitas doutorou-se com a pesquisa “Migração, trabalho e família: os trabalhadores bolivianos do setor de confecção na cidade de São Paulo”, apoiada pela FAPESP.

E, no pós-doutoramento, dedica-se ao tema “A governança das migrações internacionais e os seus impactos na experiência social dos migrantes – um estudo comparativo dos contextos nacionais e locais de São Paulo, no Brasil e, Buenos Aires, na Argentina”, também com bolsa da FAPESP.

Como exemplo do acréscimo trazido pelos estrangeiros ao repertório de conhecimentos dos profissionais do país, Freitas cita o caso de trabalhadores senegaleses que estão sendo contratados por empresas exportadoras de carne do Rio Grande do Sul por dominarem o procedimento halal de manuseio da carne, prescrito pela religião islâmica.

“Trata-se de um importante nicho econômico devido ao fato de o Brasil ser grande exportador de carne para os países muçulmanos do Oriente Médio e da África”, disse à Agência FAPESP.

Mas o foco da atual pesquisa de Freitas é a dimensão política, mais especificamente as formas de relacionamento dos imigrantes com os governos locais – municipal e estadual – de São Paulo, que ainda é o principal polo de atração de estrangeiros no Brasil.

“Existe uma nova lei, recentemente aprovada no Senado, que ainda deverá tramitar na Câmara. Porém, até o presente, a situação dos imigrantes foi regulada pelo Estatuto do Estrangeiro, promulgado durante a ditadura. Nos termos dessa legislação, baseada na ‘doutrina da segurança nacional’ e na proteção do trabalhador nacional, foram limitados os direitos civis, sociais e políticos dos imigrantes, principalmente dos indocumentados, por meio de uma gestão baseada na Polícia Federal e no Conselho Nacional de Imigração, vinculado ao Ministério do Trabalho”, afirmou.


“Diante disso, os imigrantes e as organizações civis que os defendem começaram a buscar, na esfera local, brechas que possibilitassem um alargamento dos direitos – o que, de fato, ocorreu.”

Educação e saúde

Pesquisando nos arquivos do Centro de Estudos Migratórios, da Missão Paz, mantida pela Arquidiocese de São Paulo, que é a principal instituição de acolhida dos novos imigrantes na cidade, Freitas verificou que, no período compreendido entre a redemocratização do país, em meados dos anos 1980, e o fim da década de 2010, ocorreram quatro movimentos principais em prol dos novos imigrantes: por direito à educação, à saúde, ao trabalho digno e à representação e participação política.

“No começo dos anos 1990, houve uma resolução da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo impedindo que as escolas acolhessem matrículas de filhos de imigrantes indocumentados. Nesse momento, por iniciativa de Dom Paulo Evaristo Arns, então cardeal-arcebispo de São Paulo, ocorreu uma mobilização da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese, para que a resolução fosse revogada. Isso ocorreu cinco anos mais tarde, durante a gestão de Belisário dos Santos Jr. na Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, durante o governo de Mário Covas”, disse.

Já o movimento pelo direito à saúde se deu em outro contexto, no início dos anos 2000. “Quando Marta Suplicy assumiu a Prefeitura de São Paulo, houve o estabelecimento das subprefeituras e a descentralização da área de Saúde, com a implementação do Programa Saúde da Família (PSF), que prevê a realização de visitas domiciliares para a inclusão das populações vulneráveis no sistema de saúde”, disse Freitas.

“Nesse processo, ocorreu o contato dos técnicos do PSF com os novos imigrantes latino-americanos, trabalhadores nas oficinas de costura. E, posteriormente, a partir de uma articulação entre os técnicos do PSF da subprefeitura da Mooca e os representantes da Pastoral do Migrante, foi criada uma lei abrindo a possibilidade de contratação de imigrantes para fazerem parte das equipes do PSF”, disse.

Cidadania local

Fatos desse tipo são articulados teoricamente por meio de dois conceitos sociológicos: o de “cidadania local” e o de “domínio de agência”.

“A ideia do ‘domínio de agência’ é a de que existem interações entre a sociedade e o Estado que criam, neste último, dispositivos facilitadores do diálogo em relação a sujeitos de direitos específicos – no caso em questão, os novos imigrantes. Por meio dessas interações, foram e continuam sendo criadas capacidades estatais para a acolhida desse grupo social”, explicou Freitas.

Diante de uma legislação nacional restritiva, as organizações civis buscaram brechas para ampliar, de fato, os direitos dos imigrantes. E isso mudou, em certa medida, o perfil do Brasil no tocante à questão.

De um país que se fechou à imigração a partir dos anos 1930, quando o governo Vargas estabeleceu formas de recrutamento internas e políticas de proteção do trabalhador nacional, o Brasil evoluiu para um contexto que, a despeito de suas ambiguidades, é muito mais receptivo e inclusivo.

Fatores conjunturais contribuíram decisivamente para que isso acontecesse.

“Nos anos 2000, foi estabelecido, no Mercosul, o Acordo de Residência, que é um estatuto extremamente avançado, assegurando direitos, inclusive culturais, aos imigrantes e suas famílias. Em função dele, ocorreram mudanças nas legislações nacionais de vários países da América Latina, especialmente da Argentina e do Uruguai, que também tinham leis do tempo de suas respectivas ditaduras. Embora uma mudança desse porte não tenha ocorrido no Brasil, o Acordo de Residência deu aos imigrantes latino-americanos um novo status, que lhes permitiu desfrutar de direitos como, por exemplo, dois anos de residência, renováveis”, disse a pesquisadora.

Paralelamente, abriram-se outras brechas: o Visto Humanitário, que beneficia atualmente os imigrantes haitianos; e o Estatuto dos Refugiados, que contempla principalmente os imigrantes do Oriente Médio e da África e possibilita que qualquer pessoa, definindo-se como refugiada, possa ingressar em território brasileiro e aqui permanecer até que seu caso seja avaliado, com toda a documentação necessária para se estabelecer e trabalhar.

“O Acordo de Residência, o Visto Humanitário e o Estatuto do Refugiado criaram uma nova situação de fato. É uma situação contraditória. Por um lado, não existem estatísticas nacionais confiáveis nem uma arquitetura institucional de acolhimento. Por outro, existe uma abertura real”, ponderou Freitas.

Tópicos: Agência Fapesp, Dados de Brasil, América Latina, Imigração

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Protestos contra imigrantes levam milhares a rua da Europa


Protestos contra imigrantes levam milhares a ruas da Europa
Grupo islamofóbico Pegida organizou manifestações em várias cidades.
Duas das maiores manifestações aconteceram em Dresden e Praga.



Manifestantes protestam contra a entrada de imigrantes na Europa em Dresden, Alemanha, neste sábado (6) (Foto: TOBIAS SCHWARZ / AFP)

Milhares de pessoas participaram de manifestações contra imigrantes, neste sábado (6), em Dresden (leste da Alemanha) e em outras partes da Europa, em uma jornada europeia organizada pelo movimento islamofóbico Pegida e repleta de incidentes.

As duas principais manifestações aconteceram em Dresden, berço do Pegida, onde entre 6 mil e 8 mil pessoas se concentraram, e em Praga, com a presença de cerca de 5 mil participantes, segundo a AFP.

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Durante o dia, foram registrados vários choques entre forças de ordem e manifestantes.

Pelo menos 20 pessoas foram detidas em Calais, no norte da França, durante uma manifestação hostil aos refugiados que havia sido proibida pelas autoridades locais, relataram diferentes fontes.

Em Amsterdã, soldados do Batalhão de Choque prenderam vários manifestantes pró e anti-Pegida, após confrontos com a Polícia no centro da cidade. Algumas centenas de pessoas participaram das manifestações. Também foram registrados distúrbios em Dublin.

Outras manifestações transcorreram em um ambiente mais calmo, como em Varsóvia, Bratislava, Graz (sul da Áustria) e Birgmingham, segunda cidade em número de habitantes do Reino Unido. Paralelamente, houve manifestações hostis ao Pegida na maioria destas cidades.

Um grupo contrário ao que defende o Pegida também se manifestou nas ruas de Dresden neste sábado.

Extrema direita
O Pegida, "Patriotas Europeus Contra a Islamização do Ocidente", movimento de extrema direita nascido na Alemanha durante o outono (hemisfério norte) de 2014, convocou em 23 de janeiro manifestantes em 14 países da Europa neste sábado sob o lema "Fortaleza Europa".
Simpatizantes do grupo Pegida reúnem-se em Dresden, Alemanha, neste sábado (6) (Foto: TOBIAS SCHWARZ / AFP)

Em Dresden, os simpatizantes deste movimento se reuniram a partir do meio-dia (horário de Brasília) às margens do Elba, o rio que atravessa a capital da Saxônia, para protestar "contra a imigração maciça e contra a islamização".

Sob um céu limpo, foram rodeados de um grande dispositivo policial. Mais de mil agentes e veículos com canhões de água foram mobilizados para acompanhar a passeata.

Tradicionalmente, as autoridades locais se recusam a divulgar estimativas sobre o número de participantes deste tipo de manifestação. Um programa desenvolvido pela universidade local para a contagem de multidões estimou, porém, entre 6 mil e 8 mil manifestantes no final da tarde.

Segundo uma jornalista da AFP presente no local, a manifestação ocorreu em calma. Os participantes agitaram bandeiras e levaram cartazes hostis à chanceler alemã, Angela Merkel, atualmente no centro das críticas por sua política de braços abertos aos imigrantes.

Simultaneamente, centenas de pessoas desfilaram no início da tarde contra o Pegida, pedindo tolerância em uma cidade na qual vivem poucos estrangeiros, mas que se transformou em um símbolo da xenofobia na Alemanha. Segundo o programa da universidade já mencionado, a principal manifestação anti-Pegida no centro de Dresden reuniu até 3.500 pessoas.

Os cartazes desses opositores tinham frases como "Não há lugar para os nazistas" e "Não temos necessidade de xenofobia, nem de demagogia, nem do Pegida". No ano passado, a Alemanha acolheu 1,1 milhão de candidatos ao asilo, um recorde absoluto.
Manifestantes protestam contra o movimento islamofóbico Pegida, em Dresden, Alemanha, neste sábado (6) (Foto: TOBIAS SCHWARZ / AFP)