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terça-feira, 19 de junho de 2018

Nos EUA, um depósito de crianças sem papéis Separadas dos pais e trancadas em gaiolas, elas não podem nem brincar ou receber carinho 18.9k Nomaan Merchant / ASSOCIATED PRESS, O Estado de S.Paulo 19 Junho 2018 | 05h00 Dentro de um armazém antigo no sul do Texas, centenas de crianças esperam, dentro de gaiolas de metal. Uma das celas era ocupada por 20 crianças. Garrafas de água, sacos de batata frita e grandes folhas de papel, que servem de cobertores, se espalham pelo lugar. Uma adolescente contou a uma defensora pública que estava ajudando a cuidar de uma criança pequena que não conhecia, porque a tia da menina estava em outro lugar do armazém. Ela conta que teve de usar seu celular para ensinar às outras crianças com quem dividia a cela como trocar fralda. EUA imigração Armazém no Vale do Rio Grande abriga filhos de imigrantes ilegais pegos cruzando a fronteira entre o México e os EUA Foto: Reuters A Patrulha de Fronteira permitiu que repórteres visitassem a instalação em resposta às críticas contra a política de tolerância zero do governo Trump, que tem resultado na separação de famílias. Os repórteres não foram autorizados a entrevistar as pessoas ou a tirar fotos. + Estados Unidos enviam imigrantes a prisões federais Mais de 1,1 mil pessoas estavam dentro da instalação ampla e escura, dividida em alas para crianças desacompanhadas, adultos sozinhos e mães e pais com filhos. As gaiolas de cada ala têm acessos a áreas comuns e banheiros químicos. A iluminação fica constantemente acesa. Segundo a Patrulha de Fronteira, cerca de 500 menores no local estão acompanhados pelos pais, mas outros 200 estão sozinhos. Muitos dos adultos que cruzam a fronteira sem permissão podem ser acusados de entrada ilegal e levados presos, sendo separados de seus filhos. Cerca de 2,3 mil crianças foram tiradas de seus pais desde que o secretário de Justiça, Jeff Sessions, anunciou a nova política, determinando que os funcionários do Departamento de Segurança Interna encaminhassem todos os casos de entrada ilegal nos EUA para serem processados criminalmente. Igrejas e grupos de defesa dos direitos humanos criticaram duramente a política, chamando-a de desumana. + População imigrante nos EUA superou os 43 milhões, segundo estudo Histórias se espalharam de menores sendo arrancados dos braços dos pais, e estes incapazes de saber para onde seus filhos foram levados. Um grupo de congressistas visitou a mesma instituição no domingo e foi designado para visitar um abrigo onde estão cerca de 1,5 mil crianças, muitas separadas dos pais. No Vale do Rio Grande, no Texas, que é o corredor mais movimentado para aqueles que tentam entrar nos EUA, funcionários da patrulha argumentam que precisam reprimir os imigrantes e separar os adultos das crianças para desencorajar outras pessoas. “Quando você isenta um grupo de pessoas da lei, isso cria um atrativo”, justificou o chefe da patrulha, Manuel Padilla. Os funcionários que administram o local disseram que todos os detidos recebem alimentação adequada, acesso a chuveiros, roupa lavada e assistência médica. A ideia é que as pessoas passem pouco tempo na instalação. Nos termos da legislação dos EUA, crianças devem ser entregues em até três dias aos abrigos financiados pelo Departamento de Saúde. Padilla diz que os funcionários no Vale do Rio Grande permitem que famílias com crianças menores de 5 anos fiquem juntas, na maior parte dos casos. Uma defensora pública, porém, que passou várias horas no local diz ter ficado profundamente perturbada com o que encontrou. Michelle Brane, diretora da Comissão de Mulheres Refugiadas, se encontrou com uma garota de 16 anos que estava cuidando de uma menina mais nova há três dias. A adolescente e as outras pessoas em sua gaiola supunham que a menor tinha 2 anos. Ela contou que, depois que um advogado começou a fazer perguntas, os agentes encontraram a tia da menina e reuniram as duas. Assim, descobriram que a criança tinha 4 anos. Parte do problema era que a menina não falava espanhol, mas k’iche, uma língua indígena da Guatemala. “Ela estava tão traumatizada que não estava falando”, disse Michelle. “Estava apenas encolhida, como se fosse uma bola pequena.” Trauma. Michelle contou que também viu autoridades na instalação – onde não há brinquedos ou livros – repreenderem um grupo de crianças de 5 anos por brincarem dentro de sua gaiola, ordenando que se acalmassem. Mas um garoto próximo da cela não estava brincando com os outros. Segundo Michelle, ele estava quieto, segurando um pedaço de papel que era uma cópia da carteira de identidade de sua mãe. “O governo está literalmente levando as crianças para longe de seus pais e deixando-as em condições inadequadas”, disse a defensora. “Se um dos pais deixasse uma criança em uma gaiola sem supervisão com outra criança de 5 anos, eles seriam responsabilizados.” A chefe da Academia Americana de Pediatria, Colleen Kraft, que visitou um abrigo no Texas, viu uma criança ainda engatinhando que chorava descontroladamente e batia os punhos contra o chão. Os funcionários tentavam consolar a criança, que parecia ter cerca de 2 anos. Ela havia sido tirada de sua mãe na noite anterior. Os funcionários deram a ela livros e brinquedos, mas não podiam segurar ou abraçar a criança para que se acalmasse. “O estresse é esmagador. O foco precisa estar no bem-estar dessas crianças”, disse a médica.


Dentro de um armazém antigo no sul do Texas, centenas de crianças esperam, dentro de gaiolas de metal. Uma das celas era ocupada por 20 crianças. Garrafas de água, sacos de batata frita e grandes folhas de papel, que servem de cobertores, se espalham pelo lugar.

Uma adolescente contou a uma defensora pública que estava ajudando a cuidar de uma criança pequena que não conhecia, porque a tia da menina estava em outro lugar do armazém. Ela conta que teve de usar seu celular para ensinar às outras crianças com quem dividia a cela como trocar fralda.


Armazém no Vale do Rio Grande abriga filhos de imigrantes ilegais pegos cruzando a fronteira entre o México e os EUA Foto: Reuters



A Patrulha de Fronteira permitiu que repórteres visitassem a instalação em resposta às críticas contra a política de tolerância zero do governo Trump, que tem resultado na separação de famílias. Os repórteres não foram autorizados a entrevistar as pessoas ou a tirar fotos.

+ Estados Unidos enviam imigrantes a prisões federais

Mais de 1,1 mil pessoas estavam dentro da instalação ampla e escura, dividida em alas para crianças desacompanhadas, adultos sozinhos e mães e pais com filhos. As gaiolas de cada ala têm acessos a áreas comuns e banheiros químicos. A iluminação fica constantemente acesa.

Segundo a Patrulha de Fronteira, cerca de 500 menores no local estão acompanhados pelos pais, mas outros 200 estão sozinhos. Muitos dos adultos que cruzam a fronteira sem permissão podem ser acusados de entrada ilegal e levados presos, sendo separados de seus filhos.

Cerca de 2,3 mil crianças foram tiradas de seus pais desde que o secretário de Justiça, Jeff Sessions, anunciou a nova política, determinando que os funcionários do Departamento de Segurança Interna encaminhassem todos os casos de entrada ilegal nos EUA para serem processados criminalmente. Igrejas e grupos de defesa dos direitos humanos criticaram duramente a política, chamando-a de desumana.

+ População imigrante nos EUA superou os 43 milhões, segundo estudo

Histórias se espalharam de menores sendo arrancados dos braços dos pais, e estes incapazes de saber para onde seus filhos foram levados. Um grupo de congressistas visitou a mesma instituição no domingo e foi designado para visitar um abrigo onde estão cerca de 1,5 mil crianças, muitas separadas dos pais.

No Vale do Rio Grande, no Texas, que é o corredor mais movimentado para aqueles que tentam entrar nos EUA, funcionários da patrulha argumentam que precisam reprimir os imigrantes e separar os adultos das crianças para desencorajar outras pessoas. “Quando você isenta um grupo de pessoas da lei, isso cria um atrativo”, justificou o chefe da patrulha, Manuel Padilla.

Os funcionários que administram o local disseram que todos os detidos recebem alimentação adequada, acesso a chuveiros, roupa lavada e assistência médica. A ideia é que as pessoas passem pouco tempo na instalação. Nos termos da legislação dos EUA, crianças devem ser entregues em até três dias aos abrigos financiados pelo Departamento de Saúde.

Padilla diz que os funcionários no Vale do Rio Grande permitem que famílias com crianças menores de 5 anos fiquem juntas, na maior parte dos casos. Uma defensora pública, porém, que passou várias horas no local diz ter ficado profundamente perturbada com o que encontrou. Michelle Brane, diretora da Comissão de Mulheres Refugiadas, se encontrou com uma garota de 16 anos que estava cuidando de uma menina mais nova há três dias. A adolescente e as outras pessoas em sua gaiola supunham que a menor tinha 2 anos.

Ela contou que, depois que um advogado começou a fazer perguntas, os agentes encontraram a tia da menina e reuniram as duas. Assim, descobriram que a criança tinha 4 anos. Parte do problema era que a menina não falava espanhol, mas k’iche, uma língua indígena da Guatemala. “Ela estava tão traumatizada que não estava falando”, disse Michelle. “Estava apenas encolhida, como se fosse uma bola pequena.”

Trauma. Michelle contou que também viu autoridades na instalação – onde não há brinquedos ou livros – repreenderem um grupo de crianças de 5 anos por brincarem dentro de sua gaiola, ordenando que se acalmassem. Mas um garoto próximo da cela não estava brincando com os outros. Segundo Michelle, ele estava quieto, segurando um pedaço de papel que era uma cópia da carteira de identidade de sua mãe.

“O governo está literalmente levando as crianças para longe de seus pais e deixando-as em condições inadequadas”, disse a defensora. “Se um dos pais deixasse uma criança em uma gaiola sem supervisão com outra criança de 5 anos, eles seriam responsabilizados.”

A chefe da Academia Americana de Pediatria, Colleen Kraft, que visitou um abrigo no Texas, viu uma criança ainda engatinhando que chorava descontroladamente e batia os punhos contra o chão. Os funcionários tentavam consolar a criança, que parecia ter cerca de 2 anos. Ela havia sido tirada de sua mãe na noite anterior. Os funcionários deram a ela livros e brinquedos, mas não podiam segurar ou abraçar a criança para que se acalmasse. “O estresse é esmagador. O foco precisa estar no bem-estar dessas crianças”, disse a médica.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Imigrantes fazem manifestação e greve de fome para entrar nos EUA Agência Brasi





Com o recrudescimento da política imigratória e a busca por um maior controle na fronteira entre o México e os Estados Unidos, uma manifestação de imigrantes da América Central, que acontece anualmente desde 2010, acabou em conflito, com envio da guarda nacional à fronteira e uma greve de fome de 15 imigrantes.

Os imigrantes, que participam da chamada Via Crucis do Imigrante, protestam no estado de Oaxaca por ainda não terem recebido vistos humanitários temporários. Segundo entidades de defesa humanitária, os vistos foram prometidos pelo presidente do México, Enrique Peña Nieto.


A maioria dos imigrantes é proveniente de Honduras, Guatemala e El Salvador, mas segundo a ONG Povo Sem Fronteiras, os vistos ainda não foram concedidos a todos.

O grupo tinha cerca de mil pessoas quando a viagem começou no final de março, no sul do México. De acordo com a imprensa local, parte deles agora está no estado de Oaxaca, a cerca de mil quilômetros da fronteira com os Estados Unidos.

Agências internacionais que acompanham a caravana relatam que o grupo já teria se separado, e pelo menos 200 pessoas partiram junto a um carregamento de mercadorias, conhecido como La Bestia, chamado localmente de comboio da morte, pelo perigo relacionado à presença de cartéis de drogas e contrabando na região.

Pressão

O México recebe imigrantes de países da América Central, muitos deles com alto grau de violência e presença de cartéis de drogas, que tentam chegar aos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que é pressionado pelo governo de Donald Trump para não "facilitar" a entrada desses imigrantes em território norte-americano.

A pressão já existia na administração de Barack Obama. Entre 2014 e 2017, o México deportou mais de 420 mil pessoas da América Central. Mas o governo Peña Nieto é pressionado também por entidades de direitos humanos para permitir a passagem ou a permanência temporária dos cidadãos centro-americanos.

Agora, com a gestão Trump, a pressão aumentou, inclusive porque uma das diretrizes do governo norte-americano é a construção do muro fronteiriço, projeto pendente de liberação de verbas no Congresso americano.

Manifesto

As caravanas Via Crucis surgiram em 2010, no mesmo ano em que foram encontrados 72 corpos de imigrantes

Espanha resgata 476 imigrantes em travessia no Mediterrâneo em dois dias da América Central e da América do Sul em uma vala comum em Tamaulipas, estado mexicano, próximo à fronteira com o Texas, sul dos Estados Unidos. Na época, sobreviventes contaram que os imigrantes foram mortos ao se recusar a pagar a cartéis e coiotes da região, para a travessia.

Desde então, são realizadas anualmente manifestações com a presença de entidades e coletivos locais de apoio humanitário.

Em abril, antes do início da caravana, o presidente Trump classificou o governo mexicano como "permissivo" em relação à entrada de grandes fluxos "de drogas e de pessoas nos Estados Unidos".

O governo norte-americano já confirmou a presença de 2,4 mil homens da guarda nacional na fronteira do Texas, Arizona e Califórnia, para prevenir a chega de imigrantes.

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Quem são os agentes que podem barrar a entrada de viajantes nos EUA?



Agente da "Customs and Border Protection" no porto de entrada em San Diego, EUA, na fronteira com o México

Funcionários da alfândega e proteção de fronteira dos EUA (Customs and Border Protection) serão as peças-chave para colocar o veto migratório do presidente Donal Trump em funcionamento a partir desta quinta-feira (29), afetando viajantes de seis países de maioria muçulmana.

Eles são funcionários vestidos de azul que estão posicionados em aeroportos e postos de fronteira permitindo ou não a entrada de pessoas nos EUA. Eles carimbam passaportes, inspecionam documentos, confiscam drogas e outros itens ilícitos e comprovam se pertences e bagagens estão apropriadamente declarados.

Os funcionários foram envolvidos no caos quando a primeira versão do veto migratório de Trump entrou em vigor em janeiro, forçando-os a recusar viajantes com vistos que, mais tarde, foram permitidos a entrar. Eles estarão na linha de frente novamente com a entrada em vigor do novo veto que afeta visitantes da Síria, Sudão, Somália, Líbia, Irã e Iêmen.

Na segunda-feira, os juízes da mais alta corte do país limitaram o alcance desse decreto, adotado com a justificativa de impedir a chegada de "terroristas".

O que é a "Customs and Border Protection"?

A agência foi criada como parte do Departamento de Segurança Interna em 2003 após os ataques de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center e ao Pentágono. Sua maior divisão -- o escritório de Operações de Campo -- admite entrada de pessoas e bens em 328 aeroportos, postos em terra e portos marítimos. Eles admitem 390 milhões de viajantes durante o ano fiscal, que termina em 30 de setembro, incluindo 119 milhões em aeroportos.

Muito do trabalho feito pela agência é na fronteira entre EUA e México.

O ponto mais movimentado de entrada é em San Ysidro, em San Diego, com Tijuana, no México, com 31,8 milhões de admissões durante o período dos últimos 12 meses, uma média de 87 mil por dia. El Paso, no Texas, que faz fronteira com Ciudad Juarez, no México, é o segundo mais movimentado, com 28,8 milhões de admissões, seguido por Otay Mesa, em San Diego (17,8 milhões), Laredo, no Texas (17,7 milhões), e o aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York (15,9 milhões).

O veto migratório deve afetar mais os aeroportos porque é como os visitantes dos seis países geralmente chegam. Além do JFK, os únicos aeroportos que estão entre os 20 pontos mais movimentados em número de passageiros são o Internacional de Miami (11º), Internacional de Los Angeles (12º) e o Internacional de San Francisco (20º).
Como os funcionários vão aplicar o veto migratório?

A administração Trump divulgou na quarta-feira (28) novos critérios para a aplicação de vistos para os seis países e todos os refugiados que alegarem um vínculo "próximo" com família ou negócios nos EUA.

Vistos que já tiverem sido aprovados não vão ser anulados, mas instruções publicadas pelo Departamento do Estado dizem que novos formulários para os seis países devem provar uma relação com pais, cônjuges, criança, filho ou filha adulto, genro, nora, irmão ou irmã já nos EUA para terem a entrada permitida. O mesmo requerimento com algumas exceções deve ser aplicada para requerentes a refugiado de todas as nações que ainda aguardam aprovação para admissão nos EUA.

Avós, netos, tias, tios, sobrinhos, primos, cunhados (as), noivos ou noivas ou outros membros mais distantes da família não são considerados de relação próxima, de acordo com o guia que foi publicado em um cabo (documento diplomático) enviado para todas as embaixadas e consulados dos EUA na quarta-feira (28). As novas regras entram em vigor às 20h no fuso EDT (21h de Brasília), de acordo com o cabo.

Se algum viajante de um dos seis países chegar sem um visto e tiver um motivo para questionar a validade de seus documentos, a tarefa deverá recair ao Departamento de Estado, mas funcionários da alfândega e proteção de fronteira podem ser envolvidos.
Quais atividades ilegais os funcionários podem encontrar?

Inicialmente, os agentes procuram drogas ilícitas e param pessoas que tentam entrar no país ilegalmente.

Drogas -- de forma crescente heroína e metanfetamina -- são mais comuns serem traficados para os EUA por carro pela fronteira com o México. Pessoas entram ilegalmente escondendo a droga no carro ou usando documentos de viagem de outra pessoa.

Os agentes negaram a admissão 274.821 vezes em aeroportos, postos terrestres e portos marítimos durante o último ano fiscal. O número representa um aumento de 8% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Foram confiscados 257 toneladas de maconha, 26,3 toneladas de cocaína, 18,8 toneladas de metanfetamina e 2,1 toneladas de heroína.

Uma estimativa de 40% das pessoas estão no país ilegalmente por ter o visto vencido. Uma das prioridades da agência é rastrear melhor essas pessoas. A ausência de um sistema para as pessoas assinalarem quando elas deixam o país deixa o empreendimento difícil e caro. O Departamento de Segurança Interna disse em maio que cerca de 740 mil estrangeiros estavam com o visto vencido no último ano fiscal, mas esse número só se refere àqueles que chegaram por avião ou navio.
Qual a diferença com a patrulha de fronteira?

A patrulha de fronteira (Border Control) é outra divisão dentro da agência. Agentes da "Customs and Border Protection" vestem uniformes azuis e patrulham portos de entrada. Agentes da "Border Patrol" trabalham em áreas entre os portos de entrada e vestem uniformes verdes.

A "Customs and Border Protection" é a maior agência de policiamento do país, com 60 mil empregados e um orçamento anual de US$ 13,5 bilhões (cerca de R$ 44,5 bilhões). Trump pediu um aumento de 21% nos gastos no setor, parcialmente para a construção de um muro na fronteira com o México e para contratar mais agentes para a "Border Patrol".
Como se contrata o pessoal?

A administração Trump disse este mês que há 1.400 vagas para funcionários nos portos de entrada. A "Customs and Border Protection" tem dificuldades para preencher as vagas porque um número alto de candidatos fracassa ao passar por um polígrafo (aparelho detector de mentiras), que é um requisito para a contratação desde 2012. Um funcionário disse recentemente que 75% dos candidatos fracassam nessa etapa, quase o dobro da média entre as agências de segurança dos EUA.

Uma lei aprovada na Câmara dos Representantes (câmara dos deputados dos EUA) este mês pede para tirar a exigência do polígrafo para veteranos e outros candidatos. A "Customs and Border Protection" disse recentemente que está "aliviando" alguns testes de condicionamento físico e de linguagem para poder contratar.

O governo Trump disse que quer aumentar a "Border Patrol" em 5.000 agentes, mas não propôs nenhum aumento de funcionários para aeroportos, postos terrestres e portos marítimos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Trump retoma patriotismo econômico e corta a contratação de trabalhadores estrangeiros


O presidente assina ordem executiva que limita os vistos para profissionais qualificados
Medida também potencializa a compra de produtos norte-americanos


Donald Trump antes de viajar para Wisconsin. AFP


Donald Trump voltou à sua zona de conforto. Em uma fábrica de chaves de fenda, em Kenosha (Wisconsin), o presidente dos Estados Unidos retomou nesta terça-feira seu discurso mais nacionalista e assinou uma ordem executiva para restringir a entrada de imigrantes ao mercado de trabalho e potencializar a compra de produtos norte-americanos. É o velho sonho da América profunda, aquela que olha para o mundo externo e seus habitantes com desconfiança, e que nas mãos de Trump conduziu à narrativa xenófoba e isolacionista que marcou sua campanha.


América Primeiro. Este é o lema que Trump invoca sempre que tenta mudar o ritmo. Depois de algumas semanas nas quais, sobrecarregado pelo peso da realidade, abandonou muitos de seus postulados eleitorais (deixou de atacar a China, bombardeou o regime sírio e até elogiou a OTAN), o presidente voltou às raízes. A esse caudal de votos que maneja tão bem e que lhe deu nos depauperados estados do antigo cinturão industrial a vantagem que lhe permitiu derrotar Hillary Clinton.

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Diante de um público comprometido, voltou a acusar a China de participar da espoliação dos Estados Unidos, ameaçou mais uma vez sair do NAFTA se não houver “grandes mudanças”, qualificou de desastre a Organização Mundial do Comércio e apresentou a cereja do bolo do dia: a ordem executiva a partir da qual nos próximos 220 dias os departamentos federais devem revisar suas políticas à luz da doutrina do compra de americano, contrata americano. “Esta medida protegerá os trabalhadores como vocês. Chegou a hora. Acreditem”, disse Trump.

A diretriz dá prioridade aos nativos e representa um novo golpe ao legado de Barack Obama em matéria de imigração e vistos. Especialmente prejudicado fica o capítulo dedicado aos trabalhadores altamente qualificados: 85.000 vistos (H-1B) que são oferecidos anualmente e que alimentam as indústrias mais avançadas do Silicon Valley. Uma janela muito procurada por profissionais estrangeiros, mas que para a Administração Trump representa “um exemplo de abuso” e uma forma de “reduzir o emprego americano e reduzir salários”.

“Aos 80% dos que entram em nosso país por este programa se paga menos do que a média dos trabalhadores em idênticas condições”, afirmou um funcionário de alto escalão da Casa Branca. Nesse sentido, a ordem pretende reduzir o número de beneficiados e limitar a concessão apenas aos “mais talentosos”. Esta restrição foi rejeitada pelas grandes empresas de tecnologia. Alertam que seu efeito pode ser o contrário do desejado e que não se descarta que estimule a fuga das empresas para o exterior.

Outro objetivo da ordem é reativar a compra de produtos fabricados nos EUA. Para isso, cortará as isenções às importações que se aplicam a quase 60 países. Símbolo desta política é o aço norte-americano. Um material que Trump já prometeu que será de uso obrigatório em seu plano de infraestrutura e que a normativa não admite que proceda de material fundido no exterior, apesar de o produto acabado ser feito nos Estados Unidos. “É preciso assegurar que os benefícios do Compre de Americano sejam compartilhados em toda a cadeia de produção”, afirmou um porta-voz da Casa Branca.

Em um momento em que as pesquisas não sorriem para Trump, este retorno ao patriotismo econômico tenta reativar seu capital político. Nas últimas semanas, o eleitorado viu seu presidente mergulhar no labirinto internacional. Síria, Afeganistão e Coreia do Norte se afastaram do universo que votou nele. Uma distância que o governante, consciente de sua fragilidade eleitoral, tenta encurtar sempre que pode. Às vezes com discursos, outras com regras criadas para impactar seu criadouro natural. Esta é uma delas. Altissonante, nacionalista e com forte apelo nas pesquisas. O tipo de política de que Trump gosta.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pelo menos 65 restaurantes fecham em Washington no Dia Sem Imigrantes


“Sem os imigrantes, os Estados Unidos parariam”

Washington 17 FEV 2017 - 12:24 BRST
Manifestantes em Washington. AARON P. BERNSTEIN REUTERS


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Washington não funcionou na quinta-feira em toda sua capacidade. Mais de 65 restaurantes ficaram fechados e centenas de empregados em lojas e estabelecimentos não foram trabalhar. Era o Dia Sem Imigrantes, que cumpriu seu objetivo: mostrar como são necessários os imigrantes– em grande parte, latinos – para o funcionamento diário de Washington, onde mais de 20% da população é estrangeira.


O protesto se espalhou por outras cidades dos Estados Unidos, como Nova York, Filadélfia e Houston, e ganhou maior relevância este ano com a chegada do novo presidente, Donald Trump, cujas primeiras semanas na Casa Branca confirmaram a forte retórica anti-imigrantes que já tinha anunciado durante a campanha eleitoral. Em menos de um mês, o republicano ordenou a construção de um muro ao longo da fronteira com o México, aprovou um veto migratório contra sete países de maioria muçulmana, e dirigiu batidas em cidades de todo o país para deportar pessoas em situação irregular, a maioria hispânicas.

Segundo dados do Migration Policy Institute, os imigrantes são cerca de 14% (45 milhões de pessoas) da população dos EUA. Destes, a metade são de países da América Latina. No mercado de trabalho, os imigrantes constituem 17% e seus empregos estão concentrados no setor de serviços, especialmente restaurantes, hotéis e pequenos estabelecimentos. “O homem laranja (referindo-se a Trump) quer se livrar da gente”, diz uma mulher hispânica e organizadora social de Washington, “mas somos a coluna vertebral deste país”.

Em Mount Pleasant, um tranquilo bairro latino do norte da capital, muitos moradores estavam em greve e suas empresas ficaram fechadas. Várias delas tinham cartazes colados em suas portas e janelas com o slogan “Todos unidos” e reivindicavam: “Senhor Presidente, sem nós e sem a nossa contribuição este país fica parado”. No centro cristão La Casa, mães, pais e filhos aproveitam o dia livre para participar de uma reunião com uma orientadora social, que oferece instruções sobre como atuar em casos de possíveis batidas das autoridades de imigração.

“Desde a entrada do novo presidente Trump acho que nós, os latinos, não dormimos tranquilos nenhum dia”, diz Julia Flores, uma salvadorenha que mora a poucas ruas de distância e está há 18 anos em Washington. “É importante sair às ruas hoje, não trabalhar, e mostrar ao Presidente Trump que um dia sem latinos é uma perda para o país”, acrescentou enquanto os participantes se preparam para começar uma manifestação na Casa Branca.

Mas nem todos têm a mesma visão. Do outro lado da rua, Anivar Gómez, um salvadorenho empregado do restaurante Pollo Sabroso, observa os manifestantes do balcão. “O chefe não está aqui, então não pudemos pedir para participar nos protestos”, diz Gómez. “Nós sempre apoiamos nosso povo, direta ou indiretamente. Espero que a marcha funcione”, ele diz. Duas lojas mais abaixo, o dono do Mercado Salvadorenho preferiu não para falar. “Não tenho muito a dizer sobre isso”, comenta desinteressado sobre o Dia Sem Imigrantes.
Restaurantes

Por toda a cidade, mais de 65 restaurantes, tanto norte-americanos quanto hispânicos, permaneceram fechados em sinal de apoio. Entre eles, o chef espanhol José Andrés fechou vários de seus conhecidos locais em Washington como sinal de apoio aos latinos. “Em solidariedade com os muitos imigrantes que empregamos, muitos dos nossos restaurantes na área de Washington vão ficar fechados”, de acordo com um comunicado de seu conglomerado ThinkFood.

Busboys and Poets, um restaurante popular que serve comida norte-americana, notificava com um cartaz colado em cada uma de suas janelas: “Apoiamos nossa comunidade”. A empresa fechou seus três restaurantes em Washington. Sweetgreen, uma rede de restaurantes de saladas, fechou suas 18 filiais na capital.

Em Nova York, o Blue Ribbon Sushi ficou fechado na hora do almoço. “Estamos 100% com nossos empregados, sejam eles imigrantes ou tenham nascido nos Estados Unidos, estejam trabalhando com o público ou na parte de trás”, dizia um cartaz na porta. “Quando trabalhadores que não faltaram um dia de trabalho em quase 25 anos pedem um dia para protestar contra a injustiça, a resposta é fácil”, acrescentava.

O local pertence a uma empresa com vários restaurantes da cidade que também se juntou ao protesto, um ato que, no entanto, foi mais simbólico que massivo. A maioria dos restaurantes de Manhattan, com uma elevada proporção de funcionários estrangeiros, funcionou normalmente, apesar de Nova York ser uma das cidades mais rebeldes contra as políticas de migratórias de Trump.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Trump promete expulsar imigrantes ilegais no início do mandato


ELEIÇÕES NOS EUA 2016


Trump promete expulsar imigrantes ilegais no início do mandato
Republicano diz que imigrantes criminosos serão expulsos 'no primeiro dia'.
Ele promete ainda anular decretos que regularizam residência de milhares.





O candidato republicano à Casa Branca Donald Trump vinculou a imigração clandestina ao desemprego e prometeu expulsar centenas de milhares de delinquentes que residem ilegalmente nos Estados Unidos já no início de seu eventual mandato, que começaria em janeiro de 2017.

ELEIÇÃO NOS EUA
Quem sucederá Barack Obama?

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"No primeiro dia, expulsarei rapidamente os imigrantes criminosos deste país, entre eles centenas de milhares que foram postos em liberdade sob a administração Obama-Clinton", declarou o candidato republicano às eleições de novembro em ato organizado em Iowa (centro-norte) pela senadora republicana local Joni Ernst.

Trump insistiu em seu projeto de construir um grande muro na fronteira com o México e em seu plano de reforçar os controles para localizar os imigrantes ilegais que tentarem se beneficiar da previdência social ou os estrangeiros que permanecerem sem visto em território americano.

"Se não controlarmos as datas de expiração dos vistos, nossa fronteira permanecerá aberta, é simples assim", afirmou.

O magnata comprometeu-se a anular os decretos do presidente Barack Obama, que regularizaram de forma temporária a residência de milhares de imigrantes e prometeu deixar os policiais fronteiriços "finalmente fazer o trabalho para o qual foram recrutados".

"Um voto em Trump é um voto no Estado de direito, um voto em (Hillary) Clinton é um voto a favor das fronteiras abertas", declarou, em alusão à sua adversária democrata.

Ele repetiu sua convocação ao eleitorado negro, lançada há vários dias. Após descrever a pobreza que afeta a comunidade negra e lembrar a morte de uma jovem mãe de família atingida por uma bala perdida na cidade de Chicago, Trump perguntou ao público: "O que têm a perder?".

Segundo afirmou, só uma nova política econômica e uma mudança de dirigentes permitirão resolver os problemas que afetam os negros americanos, enquanto a expulsão dos imigrantes ilegais permitiria absorver o desemprego.

"Cada vez que um cidadão negro ou qualquer cidadão perde o seu trabalho por causa de um imigrante clandestino, os direitos destes cidadãos americanos são absolutamente violados", afirmou.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Brasileiros e Trump: imigrantes contam por que amam(ou odeiam) empresário João Fellet da BBC Brasil em Washington


Brasileiros e Trump: imigrantes contam por que amam (ou odeiam) empresário
João Fellet - @joaofellet Da BBC Brasil em Washington

31 março 2016 Compartilhar

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Ao propor deportar todos os imigrantes sem vistos, erguer um muro na fronteira com o México e barrar a entrada de muçulmanos, o pré-candidato à Presidência americana Donald Trump despertou a ira de muitos estrangeiros que moram nos Estados Unidos.


Mas isso não impediu que imigrantes brasileiros endossassem Trump em sua vitória na primária do Partido Republicano na Flórida, resultado que o deixou bem perto de concorrer à eleição em novembro.

"Ele não é contra o imigrante, ele é contra o imigrante ilegal", diz à BBC Brasil a estudante paulista Beatriz Coppola, de 28 anos.


Registrada como eleitora republicana, Coppola votou em Trump na prévia da Flórida em 15 de março e integrou o grupo de voluntários da campanha do empresário nos arredores de Miami.

"Não temos como bancar todas as pessoas que não estão pagando impostos e estão sugando a América", justifica. Coppola se tornou cidadã americana há alguns anos e votará para presidente pela primeira vez em novembro.

A estudante pertence a um grupo minoritário – embora cada vez mais visível – de brasileiros nos Estados Unidos que professam ideais conservadores e rejeitam o Partido Democrata, dono dos votos da maioria dos imigrantes no país.

Até agora eleitores latino-americanos têm expressado preferência nas prévias pela pré-candidata democrata e ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que disputa a vaga com o senador Bernie Sanders e ganhou a primária do partido na Flórida.
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Participação recordeImage caption O empresário Francesco Paciletti se diz preocupado com o risco de atentados

O consulado do Brasil em Miami estima que 350 mil brasileiros morem na Flórida. Grande parte do grupo está em situação migratória irregular, mas o número de brasileiros legalizados e capazes de votar tem crescido.

Líderes comunitários esperam uma participação recorde de brasileiros no próximo pleito. "Com certeza a nossa comunidade fará uma grande diferença nas eleições deste ano", diz à BBC Brasil o baiano Silair Almeida, pastor da Primeira Igreja Batista Brasileira de Pompano Beach.

Só estrangeiros que obtenham a cidadania americana podem se tornar eleitores. O voto é facultativo nos Estados Unidos.

Almeida afirma que 80% dos fiéis brasileiros da igreja são cidadãos americanos e votarão em novembro.

À saída de um culto há duas semanas, a maioria dos brasileiros abordados dizia apoiar Hillary, mas alguns pregavam o voto em políticos republicanos por sua defesa de valores conservadores.

"A família é uma instituição básica da sociedade. Não podemos abrir mão do casamento entre homem e mulher", diz o autônomo Márcio Rodrigues, que mora nos Estados Unidos há 28 anos e espera que o senador Ted Cruz (Texas) se torne presidente.

As propostas de Cruz para a imigração são consideradas tão restritivas quanto as de Trump. "Como imigrante gostaria que todos os que moram aqui pudessem conseguir a cidadania, mas ao mesmo tempo é preciso fechar as portas", afirma Rodrigues. Para ele, a entrada desordenada de pessoas pela fronteira com o México gera insegurança.
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De Sanders a TrumpImage caption O pastor Silair Almeida considera Trump 'idiota' e 'preconceituoso'

Eleitor de Trump e morador de Greenacles, o empresário paulistano Francesco Paciletti se diz preocupado não só com o risco de atentados nos Estados Unidos, mas com as ameaças enfrentados por americanos no exterior.

Casado com uma americana e pai de três filhas nascidas na Flórida, Paciletti afirma que a família jamais deixou o país por temer ataques.

O empresário – que vende materiais em mármore e granito – diz ter cogitado apoiar a candidatura de Bernie Sanders, atraído pelo caráter do senador. Sanders se define como socialista-democrático e é considerado o candidato mais à esquerda na disputa.

Mas Paciletti acabou optando por Trump porque o senador "não tem tino comercial".

Para o empresário, as propostas de Trump não devem ser levadas ao pé da letra. "Não acredito que ele vá banir os muçulmanos ou que vá cobrar do México a conta dessa muralha. É uma estratégia de marketing para os pontos dele subirem e ele conquistar o povo americano."

Outros fatores citados por apoiadores de Trump como razões para votar nele são seu sucesso como empresário e sua proposta de cortar impostos.

"Não gosto do assistencialismo democrata", diz a autônoma paranaense Solange Colishesky, que também votou no empresário na primária da Flórida.

Nos Estados Unidos há quase três décadas, ela se diz entusiasta da "ideia de deixar o povo assumir mais (o poder) que o governo".

Reduzir a interferência do Estado e ampliar a autonomia dos cidadãos são dois pilares do Libertarianismo, uma corrente popular entre conservadores americanos. O grupo ficou órfão na corrida presidencial com a desistência do senador republicano Rand Paul, em fevereiro.
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Contra-ofensiva democrataImage caption A assessora jurídica Isabel Ferreira faz campanha pela democrata Hilary Clinton

Enquanto brasileiros que apoiam candidatos republicanos se tornam mais vocais, outros membros da comunidade se articulam para garantir que a Presidência continue em mãos democratas.

A assessora jurídica Isabel Ferreira, militante do partido na Flórida, lidera um grupo de voluntários que ajuda brasileiros a se cadastrar como eleitores para que possam votar em Hillary.

Ela aborda os imigrantes nas ruas ou em eventos, oferecendo auxílio para preencher formulários e entregar a documentação para o pedido de título de eleitor.

Ferreira estima que metade dos brasileiros aptos a votar nos Estados Unidos jamais se cadastraram por desinformação ou falta de interesse.

Para ela, não há nenhuma razão para que imigrantes brasileiros votem em Trump. "Muitas pessoas estão frustradas consigo mesmas, querem ser ricas e encontraram um ídolo. Mas elas não estão pisando no chão."

O pastor Silair Almeida é mais direto. "Trump é um idiota: não respeita minorias, é racista, não sabe lidar com a diversidade e levará o país ao caos se ganhar."

Almeida diz que, embora rejeite várias posições de Hillary, ela é a candidata que melhor atenderia os interesses dos imigrantes.