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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

ONU diz que 2016 será ano com mais mortes de imigrantes no Mediterrânio


ONU diz que 2016 será ano com mais mortes de imigrantes no Mediterrâneo
De janeiro até outubro, pelo menos 3.740 imigrantes morreram na travessia.
Durante todo ano de 2015, foram registradas 3.771 mortes no Mediterrâneo

De janeiro até outubro, 327.800 tentaram chegar à Europa pelo Mediterrâneo (Foto: Aris Messinis/AFP)

IMIGRANTES
Milhares morrem no Mediterrâneo

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caso alan kurdi
como ajudar
crianças refugiadas

De janeiro até outubro, pelo menos 3.740 imigrantes morreram ao tentar atravessar o Mar Mediterrâneo, um número que supera as 3.175 vítimas do mesmo período de 2015 e transformará 2016 no ano com mais mortes na travessia rumo à Europa, alertou a ONU.

O alto número de mortes contrata com a forte queda da quantidade de pessoas que cruzou o Mediterrâneo nos últimos dez meses: 327.800 em 2016 contra 1.015.078 em 2015, de acordo com dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Durante todo ano de 2015, foram registradas 3.771 mortes no Mediterrâneo, embora se saiba que o número real foi muito superior.

Os dados divulgados pela ONU mostram que uma em cada 88 pessoas que tentaram chegar à Europa pelo Mediterrâneo acabou morrendo, um número muito maior do que o de 2015, quando se registrou uma vítima a cada 269 imigrantes que completaram a travessia.

Se consideradas apenas as mortes ocorridas na rota entre Líbia e Itália, a taxa sobe para uma vítima a cada 47 pessoas que chegam ao fim do percurso. O uso desse caminho é exatamente uma das principais causas do aumento dos incidentes fatais, já que ele é mais longo e perigoso do que o trecho entre Turquia e Grécia, mais usado em 2015.

Além disso, outra das causas é que as embarcações usadas para realizar as travessias são cada vez mais precárias e, ao mesmo tempo, os traficantes de pessoas as enchem além do limite.

"Outra mudança de tática que detectamos nos últimos meses é que os traficantes estão enviando várias embarcações repletas de imigrantes ao mesmo tempo, complicando o trabalho das equipes de resgate que têm que salvar milhares de pessoas ao mesmo tempo", disse o porta-voz da Acnur, William Spindler.

Por causa disso, a Acnur voltou a pedir mais uma vez que as autoridades criem novas formas para que as pessoas migrem legalmente à Europa para reduzir as perigosas travessias.
Menina chora enquanto é passada de colo durante resgate de migrantes no Mar Mediterrâneo feito pela Cruz Vermelha italiana, no dia 20 de outubro (Foto: Yara Nardi/Italian Red Cross/Reuters)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Protestos contra imigrantes levam milhares a rua da Europa


Protestos contra imigrantes levam milhares a ruas da Europa
Grupo islamofóbico Pegida organizou manifestações em várias cidades.
Duas das maiores manifestações aconteceram em Dresden e Praga.



Manifestantes protestam contra a entrada de imigrantes na Europa em Dresden, Alemanha, neste sábado (6) (Foto: TOBIAS SCHWARZ / AFP)

Milhares de pessoas participaram de manifestações contra imigrantes, neste sábado (6), em Dresden (leste da Alemanha) e em outras partes da Europa, em uma jornada europeia organizada pelo movimento islamofóbico Pegida e repleta de incidentes.

As duas principais manifestações aconteceram em Dresden, berço do Pegida, onde entre 6 mil e 8 mil pessoas se concentraram, e em Praga, com a presença de cerca de 5 mil participantes, segundo a AFP.

IMIGRANTES
Milhares morrem no Mediterrâneo

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Durante o dia, foram registrados vários choques entre forças de ordem e manifestantes.

Pelo menos 20 pessoas foram detidas em Calais, no norte da França, durante uma manifestação hostil aos refugiados que havia sido proibida pelas autoridades locais, relataram diferentes fontes.

Em Amsterdã, soldados do Batalhão de Choque prenderam vários manifestantes pró e anti-Pegida, após confrontos com a Polícia no centro da cidade. Algumas centenas de pessoas participaram das manifestações. Também foram registrados distúrbios em Dublin.

Outras manifestações transcorreram em um ambiente mais calmo, como em Varsóvia, Bratislava, Graz (sul da Áustria) e Birgmingham, segunda cidade em número de habitantes do Reino Unido. Paralelamente, houve manifestações hostis ao Pegida na maioria destas cidades.

Um grupo contrário ao que defende o Pegida também se manifestou nas ruas de Dresden neste sábado.

Extrema direita
O Pegida, "Patriotas Europeus Contra a Islamização do Ocidente", movimento de extrema direita nascido na Alemanha durante o outono (hemisfério norte) de 2014, convocou em 23 de janeiro manifestantes em 14 países da Europa neste sábado sob o lema "Fortaleza Europa".
Simpatizantes do grupo Pegida reúnem-se em Dresden, Alemanha, neste sábado (6) (Foto: TOBIAS SCHWARZ / AFP)

Em Dresden, os simpatizantes deste movimento se reuniram a partir do meio-dia (horário de Brasília) às margens do Elba, o rio que atravessa a capital da Saxônia, para protestar "contra a imigração maciça e contra a islamização".

Sob um céu limpo, foram rodeados de um grande dispositivo policial. Mais de mil agentes e veículos com canhões de água foram mobilizados para acompanhar a passeata.

Tradicionalmente, as autoridades locais se recusam a divulgar estimativas sobre o número de participantes deste tipo de manifestação. Um programa desenvolvido pela universidade local para a contagem de multidões estimou, porém, entre 6 mil e 8 mil manifestantes no final da tarde.

Segundo uma jornalista da AFP presente no local, a manifestação ocorreu em calma. Os participantes agitaram bandeiras e levaram cartazes hostis à chanceler alemã, Angela Merkel, atualmente no centro das críticas por sua política de braços abertos aos imigrantes.

Simultaneamente, centenas de pessoas desfilaram no início da tarde contra o Pegida, pedindo tolerância em uma cidade na qual vivem poucos estrangeiros, mas que se transformou em um símbolo da xenofobia na Alemanha. Segundo o programa da universidade já mencionado, a principal manifestação anti-Pegida no centro de Dresden reuniu até 3.500 pessoas.

Os cartazes desses opositores tinham frases como "Não há lugar para os nazistas" e "Não temos necessidade de xenofobia, nem de demagogia, nem do Pegida". No ano passado, a Alemanha acolheu 1,1 milhão de candidatos ao asilo, um recorde absoluto.
Manifestantes protestam contra o movimento islamofóbico Pegida, em Dresden, Alemanha, neste sábado (6) (Foto: TOBIAS SCHWARZ / AFP)