segunda-feira, 13 de junho de 2016

Articulação entre imigrantes e refugiados quer pressionar nova lei migratória


Articulação entre imigrantes e refugiados quer pressionar nova lei migratória

Um dos objetivos da frente independente é influenciar mudanças na legislação que substituirá o Estatuto do Estrangeiro
Julia Dolce
Redação, 10 de Junho de 2016 às 13:50Pitchou Luambo (ao centro), congolês refugiado, é coordenador do Grists (Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem-Teto de São Paulo) / Fora do Eixo


O restaurante e espaço de integração cultural palestino Al Janiah, no centro de São Paulo, reuniu no início do mês refugiados e imigrantes para a criação de uma articulação inédita entre os dois grupos, com o objetivo de compartilharem histórias e darem início a um grupo que protagonize as causas das comunidades de refugiados e imigrantes no país.

Uma das pautas históricas dessas comunidades é a garantia de direitos de cidadania aos imigrantes e refugiados, que seria possível por meio da mudança na legislação migratória.

Estiveram presentes membros da equipe de Base Warmis de imigrantes da América Latina, do Movimento Palestina para Tod@s (MOP@T) e do Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem-Teto (Grist).
Estatuto do Estrangeiro

O que vigora atualmente é o Estatuto do Estrangeiro, um documento sancionado em 1980, ou seja, herdado da ditadura militar. Até hoje, ele proíbe direitos políticos dos imigrantes no Brasil, entrando em conflito com os direitos garantidos pela Constituição Federal. Entretanto, sua inconstitucionalidade não impede que ele continue sendo usado para regular a permanência e o ingresso de estrangeiros no país.

Os artigos 107 e 108 do Estatuto, por exemplo, proíbem que migrantes realizem qualquer atividade de natureza política e participem de associações com fins culturais, religiosos ou recreativos, como organizar ou participar de "desfiles, passeatas, comícios e reuniões de qualquer natureza", nem de "participar de reunião comemorativa de datas nacionais ou acontecimentos de significação patriótica".

Apesar de supostamente não ser mais aplicado pela Justiça, o Estatuto foi invocado em dois momentos nos últimos meses.

O primeiro foi o caso da professora italiana Maria Rosaria Berbato, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), intimada a depor na Polícia Federal de Belo Horizonte devido à sua participação em debates e eventos sobre a crise política atual no país.

A segunda foi a nota oficial publicada em 15 de abril pela Federação Nacional dos Policais Federais (Fenapef), que ameaçou prender e deportar imigrantes bolivianos que participassem de manifestações contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Para Lucia Sestokas, pesquisadora do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), o Estatuto do Estrangeiro entra em contradição com a própria normatização institucional.

"Ele diz que as pessoas imigrantes no Brasil não têm acesso a nenhum direito político e sindical, não apenas cerceia o voto, como na Constituição. É a confusão do civil com o político, uma vez que esses direitos são garantidos para qualquer pessoa, não apenas pela Constituição como por vários tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário", afirmou Lucia.

O ITTC divulgou recentemente a nota técnica "Constituição e tratados garantem o direito à participação política e sindical às pessoas migrantes no Brasil".

Segundo Lucia, o Estatuto do Estrangeiro é uma legislação de cerceamento e não preza pela garantia de direitos. "A primeira frase dele já coloca em destaque a questão da segurança nacional. Toda a lógica dessa legislação foi construída em cima de trazer mão de obra para as atividades que o Estado quer, e depois descartá-las. É uma mão de obra especializada, uma migração rica e branca. A legislação não permite o direito humano de migrar, mas uma migração selecionada, e ela volta a estourar agora com a crise política do país, o que mostra o caráter político dessa perseguição", destaca.

"A criação da frente independente de refugiados e imigrantes tem justamente este item [da participação política] como uma das principais bandeiras", afirmou Hasan Zarif, membro do MOP@T que participou do evento de integração no Al Janiah.

Christo Kamanda, refugiado da República Democrática do Congo, militante independente das causas migratórias e participante recente do GRIST, também compartilhou sua história no evento do dia 2 de junho. Kamanda é jornalista, vive em São Paulo há um ano, dá aulas de francês e tem um projeto de uma agência de notícias brasileira na sua língua de origem.

Na sua opinião, a legislação do Brasil deveria se basear nos demais países latino-americanos, que permitem a atividade política para imigrantes. "A questão da lei no Brasil tem uma grande contradição, porque a Constituição brasileira permite a participação de todos na cidadania, sem discriminação. Mas se a gente volta na lei da ditadura, que criminaliza a imigração, tem esse conflito", diz.

"O Brasil é um caso muito particular, ele não pode se comportar como todos os países do mundo, porque ele é um país composto por imigrantes e filhos de imigrantes. É uma exceção. Fora os nossos irmão indígenas, proprietários originais do Brasil, todo mundo aqui é imigrante. Isso é mais importante que todo o resto, e os políticos brasileiros têm que colocar na cabeça. Na Câmara, no Governo Federal, não tem nenhum índio governando. São todos imigrantes. É um absurdo! As pessoas que chegaram aqui primeiro não podem atrapalhar os outros que acabaram de chegar", denunciou o jornalista.

Kamanda também repudia as ameaças feitas pela PF em abril: "Os imigrantes não chegam às manifestações sozinhos, eles são convidados por brasileiros. Eu denuncio esse comportamento irresponsável da polícia. Ela não está lá para ameaçar as pessoas, e até os imigrantes têm medo dela".
Projetos de Lei

Dois projetos de lei em tramitação visam mudar a legislação migratória brasileira. Um deles é o PL 2516/2015, de autoria do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que está na fila de pautas da Câmara dos Deputados.

O PL pretende atualizar o Estatuto do Estrangeiro, tendo como suas principais pautas a concentração de poderes na Polícia Federal e a presença ou não de uma entidade civil como autoridade nacional migratória.

Entretanto, o PL ainda pode sofrer modificações até a construção do texto final. No fim de maio, o PL de Aloysio Nunes teve como acréscimo o PL 5293/2016, de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que pretende "definir a situação jurídica do estrangeiro no Brasil e criar o Conselho Nacional de Imigração".

"O que a gente está tentando, junto com diversas organizações que se mobilizam pela luta das pessoas migrantes, é demandar os direitos políticos sim. Ainda que a Constituição vete o voto, a gente tem todo um leque de direitos políticos que todo mundo pode ter acesso, e temos que lutar para que isso seja garantido", concluiu Lucia.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Acre encerra políticas de imigração


Acre encerra políticas de imigração
Após atender a mais de 40 mil estrangeiros, governo do Estado encerra politicas de imigração
por Repórter Amazônia, da EBC publicado 30/05/2016 14:01

LUCIANO PONTES/SECOM


Segundo estimativa, mais de 43 mil pessoas de 15 países, principalmente do Haiti, entraram no país pelo Acre


Brasília – O fim da rota de imigração para o Brasil que tinha como porta de entrada a fronteira acreana com o Peru foi anunciado pelo governador, Tião Viana, durante entrevista coletiva na última sexta-feira (27). A estimativa é que mais de 43 mil pessoas de 15 países, principalmente do Haiti, entraram no país pelo Acre.

Segundo o governador, os gastos com atendimento humanitário aos imigrantes nesse período ultrapassaram R$ 26 milhões, entre recursos estaduais e federais.

O secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Nilson Mourão, ressaltou que, mesmo com todas as dificuldades, o governo do Estado não abandonou os imigrantes.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Imigrações atuais no Brasil


Imigrações atuais no Brasil
Geografia As imigrações atuais no Brasil vêm expandindo-se exponencialmente ao longo dos últimos anos, revelando um novo cenário demográfico no país.


A história sempre narrou diversos ciclos de imigrações para o Brasil, seja durante o período de colonização, seja durante os tempos posteriores. Ao longo dos séculos, vários povos ocuparam o nosso país, a maioria formada por europeus, mas também chineses, japoneses, latino-americanos, entre outros. No entanto, podemos dizer que o Brasil vive um novo momento no que diz respeito ao tema das imigrações internacionais.

Ao longo dos últimos anos, houve um movimento crescente de grupos estrangeiros no Brasil, advindos tanto de países desenvolvidos quanto de países subdesenvolvidos. Segundo dados do Conare (Comitê Nacional para Refugiados) e do Ministério da Justiça, só entre os anos de 2010 e 2012, o número de pessoas pedindo refúgio para o Brasil triplicou.

A tendência é que as imigrações atuais no Brasil continuem aumentando, sobretudo de populações advindas de países subdesenvolvidos ou com uma precária situação econômica, além de povos de regiões marcadas por grandes conflitos, com destaque para povos da Palestina.

Nos últimos anos, uma grande leva de haitianos veio para o Brasil, através da Amazônia, em busca de emprego e melhores condições de vida. Durante a Copa do Mundo de 2014, o mesmo processo ocorreu, destacando-se os imigrantes oriundos de Gana, que se deslocaram para o Brasil em função do torneio, mas não retornaram para o seu país de origem. Outros países que se destacaram no envio de imigrantes foram Bangladesh, Senegal, Angola, entre outros.

Da mesma forma que o número de estrangeiros no Brasil vem aumentando, o número de brasileiros no exterior vem diminuindo. Entre 2004 e 2012, a presença de brasileiros fora do país caiu pela metade, de 4 milhões para 2 milhões, com o principal destino de moradia sendo Portugal.

O que se percebe é que as recentes evoluções do Brasil no cenário econômico, além da relativa prosperidade dos países emergentes frente à crise financeira no mundo desenvolvido, vêm contribuindo para que países em desenvolvimento – principalmente os do grupo do BRICS – tornem-se lugares atrativos para as rotas migratórias internacionais.

Mas a expansão das imigrações atuais no Brasil vem acompanhada por uma série de fatores, a saber:

a) aumento da xenofobia: o Brasil, apesar de sua internacionalmente reconhecida receptividade, vem aumentando os casos de xenofobia, sobretudo para com as populações advindas de países subdesenvolvidos. Para parte da população, os grupos estrangeiros trazem doenças, “roubam” vagas de empregos e “ameaçam” a identidade cultural do país. O curioso é que esses argumentos são semelhantes aos impostos aos brasileiros no exterior, notadamente na Europa.

b) condições de vida precárias: muitos dos estrangeiros no Brasil sofrem com as precárias condições de vida que aqui encontram, sobretudo no momento em que chegam, quando ainda não dispõem de emprego, moradia, comida e dinheiro, além de sequer conhecerem o idioma português. Isso demanda maiores esforços das autoridades para atender as necessidades básicas desses povos, a fim de que condições básicas de direitos humanos sejam cumpridas. Não são poucos os casos de trabalhos análogos ao escravo praticados no país, sobretudo com migrantes haitianos na região Norte.


Imigrantes haitianos alojados em um abrigo improvisado no Acre, em janeiro de 2014 *

c) aumento do tráfico de pessoas: com o Brasil tornando-se um novo centro de atração de imigrantes ilegais, aumenta o número de tráfico de pessoas. Atualmente, os principais esforços do governo brasileiro é de investigar e punir a prática desses grupos, que além de cobrarem alto pela “ajuda” na imigração ilegal, cometem vários crimes contra os direitos humanos durante o percurso.

Muitas pessoas imaginam que os imigrantes sejam prejudiciais para a economia, sobretudo no sentido de elevar o desemprego, mas isso não é totalmente uma verdade. Em muitos casos, registra-se a presença de imigrantes com formação em nível superior ocupando cargos que muitas vezes ficam ociosos por aqui por falta de capacitação técnica, embora o número de pessoas com formação superior no Brasil tenha aumentado significativamente na última década. Além disso, mesmo com o aumento de imigrantes, o desemprego no Brasil vem caindo nos últimos tempos.

Apesar de ser necessário o estabelecimento de um maior controle sobre o número de imigrações atuais no Brasil, além de um maior empenho no combate a quadrilhas de tráfico de pessoas, é preciso também atender as necessidades básicas daqueles que aqui chegam. Um exemplo é o caso dos migrantes advindos do Haiti: eles não poderiam permanecer no Brasil segundo nossas leis de imigração, mas muitos receberam vistos humanitários, haja vista que uma deportação em massa e imediata poderia transformar-se em um terrível crime de violação aos Direitos Humanos.

__________________________

* Créditos da imagem: Luciano Pontes (EBC) / Wikimedia Commons

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Portugal oficializa a lei que concede cidadania originária a netos de portugueses


Portugal oficializa a lei que concede cidadania originária a netos de portugueses




ODiário da República de Portugal publicou hoje, quarta-feira (29 de julho), a Lei Orgânica 9/2015, sétima alteração à Lei n.º 37/81, de 3 de outubro (Lei da Nacionalidade), que estende a nacionalidade portuguesa originária aos netos de portugueses nascidos no estrangeiro.

Confira abaixo o excerto do 1.º artigo da Lei da Nacionalidade com a nova redação:

“Artigo 1.º

1 — São portugueses de origem:

(…)
d) Os indivíduos nascidos no estrangeiro com, pelo menos, um ascendente de nacionalidade portuguesa do 2.º grau na linha reta que não tenha perdido essa nacionalidade, se declararem que querem ser portugueses, possuírem laços de efetiva ligação à comunidade nacional e, verificados tais requisitos, inscreverem o nascimento no registo civil português;

(…)
3- A verificação da existência de laços de efetiva ligação à comunidade nacional, para os efeitos estabelecidos na alínea d) do n.º 1, implica o reconhecimento, pelo Governo, da relevância de tais laços, nomeadamente pelo conhecimento suficiente da língua portuguesa e pela existência de contactos regulares com o território português, e depende de não condenação, com trânsito em julgado da sentença, pela prática de crime punível com pena de prisão de máximo igual ou superior a 3 anos, segundo a lei portuguesa.”



O Intercambistas já tinha noticiado a alteração na Lei, que interessa muito aos brasileiros de descendência lusitana. Até então, os netos de portugueses nascidos no estrangeiro podiam obter a nacionalidade portuguesa derivada, isto é, a naturalização. Com esta nova lei, é permitido a todos os que venham a nascer ou tenham nascido fora de Portugal e que tenham, pelo menos, um dos avós com nacionalidade portuguesa, requisitar a nacionalidade portuguesa originária, ou seja, por extensão de forma imediata.

Esta nova lei ainda necessita de consentimento e assinatura final por parte do Presidente da República, e só depois entrará oficialmente em vigor.

Fonte: Diário da República de Portugal, Blasting News | Foto: Divulgação


TAGS brasileiros, cidadania, imigração, imigrantes, netos, portugal, portugueses

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Brasileiros e Trump: imigrantes contam por que amam(ou odeiam) empresário João Fellet da BBC Brasil em Washington


Brasileiros e Trump: imigrantes contam por que amam (ou odeiam) empresário
João Fellet - @joaofellet Da BBC Brasil em Washington

31 março 2016 Compartilhar

Saltar o tocador de mídia
Ajuda do tocador de mídia

Fora do tocador de mídia. Pressione enter para voltar ou tab para continuar.

Ao propor deportar todos os imigrantes sem vistos, erguer um muro na fronteira com o México e barrar a entrada de muçulmanos, o pré-candidato à Presidência americana Donald Trump despertou a ira de muitos estrangeiros que moram nos Estados Unidos.


Mas isso não impediu que imigrantes brasileiros endossassem Trump em sua vitória na primária do Partido Republicano na Flórida, resultado que o deixou bem perto de concorrer à eleição em novembro.

"Ele não é contra o imigrante, ele é contra o imigrante ilegal", diz à BBC Brasil a estudante paulista Beatriz Coppola, de 28 anos.


Registrada como eleitora republicana, Coppola votou em Trump na prévia da Flórida em 15 de março e integrou o grupo de voluntários da campanha do empresário nos arredores de Miami.

"Não temos como bancar todas as pessoas que não estão pagando impostos e estão sugando a América", justifica. Coppola se tornou cidadã americana há alguns anos e votará para presidente pela primeira vez em novembro.

A estudante pertence a um grupo minoritário – embora cada vez mais visível – de brasileiros nos Estados Unidos que professam ideais conservadores e rejeitam o Partido Democrata, dono dos votos da maioria dos imigrantes no país.

Até agora eleitores latino-americanos têm expressado preferência nas prévias pela pré-candidata democrata e ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que disputa a vaga com o senador Bernie Sanders e ganhou a primária do partido na Flórida.
Leia também: Conciliador, 'charmosão' e 'mordomo de filme de terror': afinal, quem é Michel Temer
Participação recordeImage caption O empresário Francesco Paciletti se diz preocupado com o risco de atentados

O consulado do Brasil em Miami estima que 350 mil brasileiros morem na Flórida. Grande parte do grupo está em situação migratória irregular, mas o número de brasileiros legalizados e capazes de votar tem crescido.

Líderes comunitários esperam uma participação recorde de brasileiros no próximo pleito. "Com certeza a nossa comunidade fará uma grande diferença nas eleições deste ano", diz à BBC Brasil o baiano Silair Almeida, pastor da Primeira Igreja Batista Brasileira de Pompano Beach.

Só estrangeiros que obtenham a cidadania americana podem se tornar eleitores. O voto é facultativo nos Estados Unidos.

Almeida afirma que 80% dos fiéis brasileiros da igreja são cidadãos americanos e votarão em novembro.

À saída de um culto há duas semanas, a maioria dos brasileiros abordados dizia apoiar Hillary, mas alguns pregavam o voto em políticos republicanos por sua defesa de valores conservadores.

"A família é uma instituição básica da sociedade. Não podemos abrir mão do casamento entre homem e mulher", diz o autônomo Márcio Rodrigues, que mora nos Estados Unidos há 28 anos e espera que o senador Ted Cruz (Texas) se torne presidente.

As propostas de Cruz para a imigração são consideradas tão restritivas quanto as de Trump. "Como imigrante gostaria que todos os que moram aqui pudessem conseguir a cidadania, mas ao mesmo tempo é preciso fechar as portas", afirma Rodrigues. Para ele, a entrada desordenada de pessoas pela fronteira com o México gera insegurança.
Leia também: Como o Google ganha dinheiro?
De Sanders a TrumpImage caption O pastor Silair Almeida considera Trump 'idiota' e 'preconceituoso'

Eleitor de Trump e morador de Greenacles, o empresário paulistano Francesco Paciletti se diz preocupado não só com o risco de atentados nos Estados Unidos, mas com as ameaças enfrentados por americanos no exterior.

Casado com uma americana e pai de três filhas nascidas na Flórida, Paciletti afirma que a família jamais deixou o país por temer ataques.

O empresário – que vende materiais em mármore e granito – diz ter cogitado apoiar a candidatura de Bernie Sanders, atraído pelo caráter do senador. Sanders se define como socialista-democrático e é considerado o candidato mais à esquerda na disputa.

Mas Paciletti acabou optando por Trump porque o senador "não tem tino comercial".

Para o empresário, as propostas de Trump não devem ser levadas ao pé da letra. "Não acredito que ele vá banir os muçulmanos ou que vá cobrar do México a conta dessa muralha. É uma estratégia de marketing para os pontos dele subirem e ele conquistar o povo americano."

Outros fatores citados por apoiadores de Trump como razões para votar nele são seu sucesso como empresário e sua proposta de cortar impostos.

"Não gosto do assistencialismo democrata", diz a autônoma paranaense Solange Colishesky, que também votou no empresário na primária da Flórida.

Nos Estados Unidos há quase três décadas, ela se diz entusiasta da "ideia de deixar o povo assumir mais (o poder) que o governo".

Reduzir a interferência do Estado e ampliar a autonomia dos cidadãos são dois pilares do Libertarianismo, uma corrente popular entre conservadores americanos. O grupo ficou órfão na corrida presidencial com a desistência do senador republicano Rand Paul, em fevereiro.
Leia também: Os perigos ocultos do 'cheiro de carro novo'
Contra-ofensiva democrataImage caption A assessora jurídica Isabel Ferreira faz campanha pela democrata Hilary Clinton

Enquanto brasileiros que apoiam candidatos republicanos se tornam mais vocais, outros membros da comunidade se articulam para garantir que a Presidência continue em mãos democratas.

A assessora jurídica Isabel Ferreira, militante do partido na Flórida, lidera um grupo de voluntários que ajuda brasileiros a se cadastrar como eleitores para que possam votar em Hillary.

Ela aborda os imigrantes nas ruas ou em eventos, oferecendo auxílio para preencher formulários e entregar a documentação para o pedido de título de eleitor.

Ferreira estima que metade dos brasileiros aptos a votar nos Estados Unidos jamais se cadastraram por desinformação ou falta de interesse.

Para ela, não há nenhuma razão para que imigrantes brasileiros votem em Trump. "Muitas pessoas estão frustradas consigo mesmas, querem ser ricas e encontraram um ídolo. Mas elas não estão pisando no chão."

O pastor Silair Almeida é mais direto. "Trump é um idiota: não respeita minorias, é racista, não sabe lidar com a diversidade e levará o país ao caos se ganhar."

Almeida diz que, embora rejeite várias posições de Hillary, ela é a candidata que melhor atenderia os interesses dos imigrantes.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Rio oferece curso de língua portuguesa para imigrantes erefugiados



Rio oferece curso de língua portuguesa para imigrantes e refugiados
Capacitação
O curso de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira é oferecido pelo Pronatec

EBC


Além do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul também fecharam parceria com o governo federal e oferecem aulas do Pronatec para cerca de 400 imigrantes e refugiados


Imigrantes e refugiados que não têm o pleno domínio do português podem estudar o idioma no Rio de Janeiro. O curso de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira, oferecido pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), começou nesta segunda-feira (28).

A aula inaugural ocorreu na última quarta-feira (23), no auditório da Cruz Vermelha Brasileira. As aulas regulares estão sendo ministradas no mesmo local para os 70 alunos inscritos, três vezes por semana.

O curso é uma parceria entre Ministério da Justiça, Ministério da Educação, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, Instituto Federal do Rio de Janeiro, Comitê Estadual Intersetorial de Políticas de Atenção aos Refugiados e Migrantes (CEIPARM) e a Cruz Vermelha Brasileira.

O secretário Nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Beto Vasconcelos, explica que o objetivo do curso é fortalecer a integração social local como solução duradoura para os refugiados. Além do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul também fecharam parceria com o governo federal e oferecem aulas do Pronatec para cerca de 400 imigrantes e refugiados.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Justiça