segunda-feira, 1 de maio de 2017

Trump retoma patriotismo econômico e corta a contratação de trabalhadores estrangeiros


O presidente assina ordem executiva que limita os vistos para profissionais qualificados
Medida também potencializa a compra de produtos norte-americanos


Donald Trump antes de viajar para Wisconsin. AFP


Donald Trump voltou à sua zona de conforto. Em uma fábrica de chaves de fenda, em Kenosha (Wisconsin), o presidente dos Estados Unidos retomou nesta terça-feira seu discurso mais nacionalista e assinou uma ordem executiva para restringir a entrada de imigrantes ao mercado de trabalho e potencializar a compra de produtos norte-americanos. É o velho sonho da América profunda, aquela que olha para o mundo externo e seus habitantes com desconfiança, e que nas mãos de Trump conduziu à narrativa xenófoba e isolacionista que marcou sua campanha.


América Primeiro. Este é o lema que Trump invoca sempre que tenta mudar o ritmo. Depois de algumas semanas nas quais, sobrecarregado pelo peso da realidade, abandonou muitos de seus postulados eleitorais (deixou de atacar a China, bombardeou o regime sírio e até elogiou a OTAN), o presidente voltou às raízes. A esse caudal de votos que maneja tão bem e que lhe deu nos depauperados estados do antigo cinturão industrial a vantagem que lhe permitiu derrotar Hillary Clinton.

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Diante de um público comprometido, voltou a acusar a China de participar da espoliação dos Estados Unidos, ameaçou mais uma vez sair do NAFTA se não houver “grandes mudanças”, qualificou de desastre a Organização Mundial do Comércio e apresentou a cereja do bolo do dia: a ordem executiva a partir da qual nos próximos 220 dias os departamentos federais devem revisar suas políticas à luz da doutrina do compra de americano, contrata americano. “Esta medida protegerá os trabalhadores como vocês. Chegou a hora. Acreditem”, disse Trump.

A diretriz dá prioridade aos nativos e representa um novo golpe ao legado de Barack Obama em matéria de imigração e vistos. Especialmente prejudicado fica o capítulo dedicado aos trabalhadores altamente qualificados: 85.000 vistos (H-1B) que são oferecidos anualmente e que alimentam as indústrias mais avançadas do Silicon Valley. Uma janela muito procurada por profissionais estrangeiros, mas que para a Administração Trump representa “um exemplo de abuso” e uma forma de “reduzir o emprego americano e reduzir salários”.

“Aos 80% dos que entram em nosso país por este programa se paga menos do que a média dos trabalhadores em idênticas condições”, afirmou um funcionário de alto escalão da Casa Branca. Nesse sentido, a ordem pretende reduzir o número de beneficiados e limitar a concessão apenas aos “mais talentosos”. Esta restrição foi rejeitada pelas grandes empresas de tecnologia. Alertam que seu efeito pode ser o contrário do desejado e que não se descarta que estimule a fuga das empresas para o exterior.

Outro objetivo da ordem é reativar a compra de produtos fabricados nos EUA. Para isso, cortará as isenções às importações que se aplicam a quase 60 países. Símbolo desta política é o aço norte-americano. Um material que Trump já prometeu que será de uso obrigatório em seu plano de infraestrutura e que a normativa não admite que proceda de material fundido no exterior, apesar de o produto acabado ser feito nos Estados Unidos. “É preciso assegurar que os benefícios do Compre de Americano sejam compartilhados em toda a cadeia de produção”, afirmou um porta-voz da Casa Branca.

Em um momento em que as pesquisas não sorriem para Trump, este retorno ao patriotismo econômico tenta reativar seu capital político. Nas últimas semanas, o eleitorado viu seu presidente mergulhar no labirinto internacional. Síria, Afeganistão e Coreia do Norte se afastaram do universo que votou nele. Uma distância que o governante, consciente de sua fragilidade eleitoral, tenta encurtar sempre que pode. Às vezes com discursos, outras com regras criadas para impactar seu criadouro natural. Esta é uma delas. Altissonante, nacionalista e com forte apelo nas pesquisas. O tipo de política de que Trump gosta.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Aloysio baixa o nível com a direita para defender Lei da Imigração






Se há algo que pode ser definido como o cúmulo da indignidade, é aquilo que fez o chanceler Aloysio Nunes para defender sua malfadada (e maldita) Lei da Imigração (prestes a ser votada na próxima 3ª feira), após sofrer duras e merecidas críticas por parte de Joice Hasselmann e Luiz Philippe de Orleans e Bragança. Ambos lembraram que a lei abre as portas para o terrorismo, dentre outros riscos inerentes ao multiculturalismo já vivenciados de modo aterrador pelos europeus.

Talvez nada revele com maior nitidez o duplo padrão adotado por alguns tucanos do que a resposta dada pelo chanceler, que catalogou todos os argumentos de Joice e Luiz Philippe como "mentiras". Afirmou que "não há uma só letra no projeto que dê margem a alguém com um mínimo de discernimento ou honestidade intelectual a interpretação de que estamos 'abrindo fronteiras para terroristas ou traficantes' ou que 'um exército terrorista e narcotraficante, travestido de indígenas, violará nossas fronteiras'". Aqui a falácia de Aloysio é nítida: ele confundiu uma lei que dá brechas ao terrorismo com uma lei que forçaria o terrorismo. Schopenhauer definiria isso como falácia da ampliação indevida.

Em seguida, afirmou que o público-alvo da nova Lei de Imigração "são as pessoas de bem". O curioso é que ele parece não se preocupar com as pessoas de bem que já vivem no Brasil.

O momento mais risível do discurso de Aloysio é aquele no qual ele diz que os migrantes contribuem "enormemente para o nosso desenvolvimento com o seu trabalho". Só que hoje no Brasil vivemos um problema de desemprego endêmico. A proposta de Aloysio visa apenas aumentar o desemprego de nosso povo em benefício de seu projeto globalista.

Arrogantemente, ele pede que seus críticos saiam de seus castelos e parem de fazer "terrorismo intelectual" e de manifestarem "egoísmo e hipocrisia", ou seja, em completo desrespeito pelos seus interlocutores. Eis a prática vergonhosa de falar grosso com críticos que pertençam à direita, mas sempre tendo afinado a voz para petistas.

Aloysio Nunes deve desculpas ao povo brasileiro por sua arrogância lançada contra os críticos da Lei de Imigração. Enquanto ele não pede desculpas, vale assistir ao vídeo de Bia Kicis. Seja lá como for, ganhamos mais um motivo para exigir que essa lei seja enterrada.

sábado, 11 de março de 2017

Documentos para viajar para Europa


Marcou viagem para a Europa? Aqui nesse post você encontrará respostas para todas as suas dúvidas sobre a documentação exigida para entrada nos países europeus que fazem parte do Tratado de Schengen. Vale lembrar que embora brasileiros não precisem de visto para entrar na Europa, a entrada é concedida na hora por um agente de imigração. Então, é bom ficar atento a todas as nossas dicas para não passar nenhum aperto no momento da entrada e ter viagem uma viagem bem tranquila para a Europa.
Documentos Necessários para Viajar para Europa
Passaporte

É obrigatório portar um passaporte válido. Se você ainda não tem um, veja como tirar seu passaporte brasileiro. Além disso, o passaporte precisa ter validade mínima de pelo menos 90 dias após o término da viagem. Por exemplo: você chegará na Europa no dia 10/09/16 e sairá no dia 10/10/16. Seu passaporte precisa estar válido até pelo menos 10/01/17.

Minha dica: confira a validade do seu passaporte antes de comprar a passagem e caso ele já esteja expirando, programe-se com bastante antecedência para renová-lo. Eu costumo renovar meus passaportes (tenho o brasileiro e italiano) 6 meses antes do vencimento.


Foto: Shutterstock
Visto

Brasileiros viajando a turismo por até 3 meses não precisam de visto para viajar para os países da União Europeia. Vale lembrar que nem todos os países da Europa fazem parte da União Europeia e nem todos fazem parte do Tratado de Schengen. De qualquer maneira, praticamente todos os países fora do bloco também não costumam exigir vistos dos brasileiros, como a Rússia, Turquia, Bósnia, Albânia, entre outros. Na dúvida, pesquise junto ao órgão oficial (consulado ou embaixada) sobre a exigência ou não de visto entre os documentos para viajar para Europa.


Foto: Shutterstock
Tratado de Schengen

O Tratado ou Acordo de Schengen garante a livre circulação de pessoas dentro dos países que assinaram o acordo. Na prática, se você circular por qualquer um dos países abaixo passará pela imigração apenas uma vez, no aeroporto de chegada apenas.
Países que fazem parte do Tratado de Schengen


Áustria, Bélgica, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Islândia, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Noruega, Polônia, Portugal, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Grécia, Hungria, Mônaco e San Marino.

Note que a Suíça, por exemplo, não faz parte da União Europeia mas faz parte do Tratado de Schengen. Foi o que disse ali em cima que União Europeia e Tratado de Schengen são coisas diferentes. Mas por qual motivo esse acordo é tão importante? Por causa do seguro saúde obrigatório.
Seguro de Viagem

O seguro saúde ou o que conhecemos como seguro viagem é obrigatório para entrar nos países da Europa que fazem parte do Acordo de Schengen. A exigência é que o turista possua um seguro com cobertura mínima de € 30.000 que garanta assistência médica por doença ou acidente.

Se você comprou a passagem com um cartão de crédito de categoria Visa ou Master Platinum (ou categoria superior) pode solicitar o seguro gratuitamente tanto para você como para cônjuge e filhos menores de 23 anos. Importante: você deve obrigatoriamente ter comprado todas as passagens com o cartão de crédito da categoria Platinum ou superior ou pelo menos ter feito o pagamento das taxas de embarque no caso de passagens emitidas com milhas.


Se a sua passagem não foi comprada com um cartão Platinum ou superior, você terá que contratar um seguro particular. Mesmo tendo um cartão Platinum, acabo sempre contratando um seguro particular. Minha seguradora favorita é a Assist Card, vendida pela Real Seguros. Usei durante toda a minha volta ao mundo e em viagens menores e nunca tive problemas. Sempre fui bem atendida e encaminhada para hospitais bons.
Passagem de volta

Para entrar na Europa também é necessário ter uma passagem de volta emitida e datada. Esse é um dos itens mais requisitados pelo oficial da imigração, então é bom ter em mãos.
Comprovante de Hospedagem

Outro item muito importante para a entrada na Europa é o comprovante de hospedagem. O agente da imigração também costuma pedir os comprovantes de reserva de hotéis ou hostels. Gosto muito de reservar hotéis no Booking (que permite cancelamento grátis na maioria dos quartos, o que permite escolher o hotel com calma) e hostels no Hostelworld.
Carta Convite

Se você irá ficar na casa de algum europeu ou cidadão de outra nacionalidade que reside legalmente na Europa você terá que providenciar a carta convite. Não adianta pedir para o amigo/primo/irmão que está com visto temporário de estudo, por exemplo. Peça para o seu anfitrião europeu verificar se há necessidade de registrar a carta convite em algum órgão oficial do país dele. Há inúmeros modelos de carta convite na internet e é recomendável que seja feita uma versão em inglês e uma versão na língua do país onde o anfitrião reside.
Comprovantes Financeiros

Pode ser que o oficial da imigração também peça que você comprove que tem condições financeiras para se manter na Europa durante todo o tempo da viagem. Você pode comprovar o valor por meio do extrato da sua conta bancária, extrato do seu cartão pré-pago de viagem, extrato que comprove o o limite disponível no cartão de crédito ou até mesmo a quantia em espécie. Entrei nos sites das embaixadas de Portugal e Espanha e o valor médio seria de €65 por dia.
Check-list documentos para entrar para Europa

Vamos resumir então a lista completa de documentos para viajar para Europa?

✓ Passaporte válido e com duração de pelo menos 3 meses após o término na viagem. Por segurança, recomendaria um passaporte com pelo menos 6 meses de validade.

Seguro viagem com cobertura mínima exigida pelo Tratado de Schengen (€ 30.000).

✓ Passagem de volta.

✓ Comprovante de Hospedagem (reserva dos hotéis/hostels ou carta-convite).

✓ Comprovantes Financeiros para se manter na Europa durante todo o período da viagem.
Dicas Finais

– Deixe tudo em uma pastinha e só apresente o que for solicitado pelo agente.

– Não minta.

– Fique tranquilo.


Foto: Shutterstock

Vale lembrar que esses são os requisitos e documentos para viajar para Europa, mas a decisão de entrar ou não é dada na hora pelo oficial da imigração. Boa viagem!
Lembrou do seguro viagem? Ele é muito importante e obrigatório nos países da Europa que fazem parte do Tratado de Schengen e também em Cuba e Venezuela. Nos demais países também é recomendável a contratação, pois não podemos prever incidentes. Leia sobre minha internação na Tailândia. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, o custo médico diário de uma internação fica na faixa dos U$2.000 (caríssimo). Para os EUA a contratação de um seguro com cobertura de U$1 milhão não é exagero. Além disso, o seguro é super útil nos casos de cancelamento de viagem e extravio de bagagem (para citar alguns exemplos). Uso o seguro da Assist Card (vendido com desconto pela Real Seguros) há anos. Precisei utilizar 4 vezes durante minha volta ao mundo e sempre fui muito bem atendida. Você pode cotar com eles sem compromisso e, caso opte pela contratação, pode pagar em 6 vezes sem juros no cartão ou com desconto de 5% no pagamento à vista.Cada vez que você reserva algo com um dos nossos parceiros recebemos uma pequena comissão. Você não paga nada a mais por isso e ainda ajuda o blog a se manter atualizado e com novas dicas de viagem.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Suíça facilita cidadania para netos de imigrantes




Eleitora vota nos vários referendos de ontem depois de ir à missa em Obersaxen Meierhof

| EPA/BENJAMIN MANSER

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Eleitores abrem caminho à naturalização dos imigrantes de terceira geração, mas rejeitam baixar impostos sobre as empresas

Após três tentativas falhadas em 35 anos para abrir as portas da nacionalidade suíça (incluindo uma que dava automaticamente a cidadania aos imigrantes de terceira geração), os eleitores aprovaram ontem em referendo o aligeirar do processo que permitirá naturalizar 25 mil pessoas que não são suíças mesmo tendo nascido na Suíça. A decisão surge apesar da campanha da extrema-direita, que incluía uma mulher de niqab (traje islâmico que deixa só os olhos a descoberto), alertar para o risco de islamização - quando na realidade a maioria dos beneficiados serão descendentes de italianos.

O "não" à decisão governamental que contava com o apoio do Parlamento de facilitar o processo de naturalização só ganhou ao "sim" em seis dos 26 cantões suíços, tendo sido aprovada por 60,4% do eleitorado. Desta forma, quando a lei entrar em vigor, a terceira geração de imigrantes nascida na Suíça não vai precisar de fazer testes ou ir a entrevistas com as autoridades locais, para provar que está integrada no país onde nasceu e sempre viveu.

Para os opositores à proposta, nomeadamente o Partido Popular Suíço (extrema-direita), esta é só a primeira fase de um plano para dar a cidadania a todos os imigrantes, que representam 25% da população. O partido, o maior na câmara baixa do Parlamento, alertou para o risco de "excesso de população estrangeira e aumento massivo nomeadamente do número de muçulmanos". O deputado Jean-Luc Addor deixou o aviso: "Numa ou duas gerações, quem serão eles, estes estrangeiros de terceira geração? Já não serão italianos, espanhóis ou portugueses."

Segundo dados de dezembro do Instituto Federal de Estatísticas da Suíça, os portugueses eram em 2016 o terceiro maior grupo de imigrantes a viver no país - quase 270 mil, atrás dos italianos (318 mil) e dos alemães (304 mil). No ano passado, 3927 portugueses conseguiram a nacionalidade suíça. A decisão de facilitar agora o processo beneficiará principalmente descendentes de italianos, mas também de turcos e de imigrantes dos Balcãs, segundo os cálculos do governo.

Mas a questão da naturalização não foi a única a ir ontem a votos na Suíça. E a vitória do governo neste tema não reduz o impacto da derrota na imposição de benefícios fiscais para as empresas. O objetivo da reforma fiscal que foi rejeitada por 59,1% dos eleitores suíços era nivelar os impostos para as empresas nacionais e estrangeiras, como prometido à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

A Suíça é há anos alvo das críticas da União Europeia porque os cantões têm um estatuto fiscal específico para as empresas estrangeiras, que significa que algumas não pagam nada além dos impostos federais de 7,8%. Para tentar compensar o facto de aumentar os impostos a estas empresas, o governo propunha benefícios fiscais ligados, por exemplo, ao desenvolvimento de patentes e muitos cantões planeavam reduzir as taxas para todas as empresas de forma a dissuadir as multinacionais de partir.

"Existe agora o verdadeiro perigo de a Suíça desaparecer do radar das empresas internacionais", reagiu o ministro das Finanças, Ueli Maurer, numa conferência de imprensa. A decisão afeta 24 mil empresas estabelecidas na Suíça, empregando 150 mil pessoas e que valem quase metade das taxas corporativas federais. O campo do "não" argumentava que a quebra da receita fiscal teria de ser compensada pelo contribuinte.

P&R

Mas quem nasce na Suíça não é logo suíço?

› Não. A cidadania na Suíça é determinada pela nacionalidade dos pais da criança e não pelo local de nascimento. Assim, por exemplo, os filhos de imigrantes portugueses que nasçam na Suíça são portugueses e não automaticamente suíços. Só quem tem a nacionalidade pode votar e participar na democracia direta que caracteriza este país.

E não podem obter a nacionalidade?

› Até agora, os não suíços tinham de esperar até aos 12 anos para pedir a nacionalidade, num processo que implicava fazer testes, ir a entrevistas com as autoridades locais (em que podem ser chamados a mostrar o conhecimento sobre queijos ou montanhas suíças ou até a sua habilidade para o esqui) e o pagamento de milhares de francos em taxas.

E o que muda a partir deste referendo?

› A ideia é facilitar o processo aos imigrantes de terceira geração, diminuindo também os custos (máximo 900 francos). Os candidatos têm de ter nascido na Suíça e ter entre 9 e 25 anos - aqueles até aos 35 anos terão um regime transitório, mas o limite de idade é para evitar fugas ao serviço militar obrigatório. Têm ainda de ter pelo menos cinco anos de escolaridade obrigatória no país, tal como um dos pais, que deve além disso ter autorização de residência e ter vivido pelo menos dez anos na Suíça. Um dos avós tem de ter nascido no país ou provar de forma credível que ali viveu. O candidato continua a ter de dominar uma das quatro línguas nacionais (alemão, italiano, francês e romanche) e respeitar a Constituição.

Quantas pessoas são abrangidas?

› De acordo com os cálculos do governo, pouco menos de 25 mil pessoas poderão agora pedir a nacionalidade através deste processo mais fácil - a maioria descendentes de imigrantes de Itália, mas também da Turquia e dos Balcãs. Todos os anos, estima-se que haja 2300 novos casos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pelo menos 65 restaurantes fecham em Washington no Dia Sem Imigrantes


“Sem os imigrantes, os Estados Unidos parariam”

Washington 17 FEV 2017 - 12:24 BRST
Manifestantes em Washington. AARON P. BERNSTEIN REUTERS


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Washington não funcionou na quinta-feira em toda sua capacidade. Mais de 65 restaurantes ficaram fechados e centenas de empregados em lojas e estabelecimentos não foram trabalhar. Era o Dia Sem Imigrantes, que cumpriu seu objetivo: mostrar como são necessários os imigrantes– em grande parte, latinos – para o funcionamento diário de Washington, onde mais de 20% da população é estrangeira.


O protesto se espalhou por outras cidades dos Estados Unidos, como Nova York, Filadélfia e Houston, e ganhou maior relevância este ano com a chegada do novo presidente, Donald Trump, cujas primeiras semanas na Casa Branca confirmaram a forte retórica anti-imigrantes que já tinha anunciado durante a campanha eleitoral. Em menos de um mês, o republicano ordenou a construção de um muro ao longo da fronteira com o México, aprovou um veto migratório contra sete países de maioria muçulmana, e dirigiu batidas em cidades de todo o país para deportar pessoas em situação irregular, a maioria hispânicas.

Segundo dados do Migration Policy Institute, os imigrantes são cerca de 14% (45 milhões de pessoas) da população dos EUA. Destes, a metade são de países da América Latina. No mercado de trabalho, os imigrantes constituem 17% e seus empregos estão concentrados no setor de serviços, especialmente restaurantes, hotéis e pequenos estabelecimentos. “O homem laranja (referindo-se a Trump) quer se livrar da gente”, diz uma mulher hispânica e organizadora social de Washington, “mas somos a coluna vertebral deste país”.

Em Mount Pleasant, um tranquilo bairro latino do norte da capital, muitos moradores estavam em greve e suas empresas ficaram fechadas. Várias delas tinham cartazes colados em suas portas e janelas com o slogan “Todos unidos” e reivindicavam: “Senhor Presidente, sem nós e sem a nossa contribuição este país fica parado”. No centro cristão La Casa, mães, pais e filhos aproveitam o dia livre para participar de uma reunião com uma orientadora social, que oferece instruções sobre como atuar em casos de possíveis batidas das autoridades de imigração.

“Desde a entrada do novo presidente Trump acho que nós, os latinos, não dormimos tranquilos nenhum dia”, diz Julia Flores, uma salvadorenha que mora a poucas ruas de distância e está há 18 anos em Washington. “É importante sair às ruas hoje, não trabalhar, e mostrar ao Presidente Trump que um dia sem latinos é uma perda para o país”, acrescentou enquanto os participantes se preparam para começar uma manifestação na Casa Branca.

Mas nem todos têm a mesma visão. Do outro lado da rua, Anivar Gómez, um salvadorenho empregado do restaurante Pollo Sabroso, observa os manifestantes do balcão. “O chefe não está aqui, então não pudemos pedir para participar nos protestos”, diz Gómez. “Nós sempre apoiamos nosso povo, direta ou indiretamente. Espero que a marcha funcione”, ele diz. Duas lojas mais abaixo, o dono do Mercado Salvadorenho preferiu não para falar. “Não tenho muito a dizer sobre isso”, comenta desinteressado sobre o Dia Sem Imigrantes.
Restaurantes

Por toda a cidade, mais de 65 restaurantes, tanto norte-americanos quanto hispânicos, permaneceram fechados em sinal de apoio. Entre eles, o chef espanhol José Andrés fechou vários de seus conhecidos locais em Washington como sinal de apoio aos latinos. “Em solidariedade com os muitos imigrantes que empregamos, muitos dos nossos restaurantes na área de Washington vão ficar fechados”, de acordo com um comunicado de seu conglomerado ThinkFood.

Busboys and Poets, um restaurante popular que serve comida norte-americana, notificava com um cartaz colado em cada uma de suas janelas: “Apoiamos nossa comunidade”. A empresa fechou seus três restaurantes em Washington. Sweetgreen, uma rede de restaurantes de saladas, fechou suas 18 filiais na capital.

Em Nova York, o Blue Ribbon Sushi ficou fechado na hora do almoço. “Estamos 100% com nossos empregados, sejam eles imigrantes ou tenham nascido nos Estados Unidos, estejam trabalhando com o público ou na parte de trás”, dizia um cartaz na porta. “Quando trabalhadores que não faltaram um dia de trabalho em quase 25 anos pedem um dia para protestar contra a injustiça, a resposta é fácil”, acrescentava.

O local pertence a uma empresa com vários restaurantes da cidade que também se juntou ao protesto, um ato que, no entanto, foi mais simbólico que massivo. A maioria dos restaurantes de Manhattan, com uma elevada proporção de funcionários estrangeiros, funcionou normalmente, apesar de Nova York ser uma das cidades mais rebeldes contra as políticas de migratórias de Trump.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Canadá deixará de exigir visto para brasileiros a partir de maio


© image/jpeg canada-passaporte

A partir de 1° maio de 2017, o Canadá deve liberar brasileiros de tirar o visto para entrar no país. Mas a medida só vale para quem já tenha tirado o visto canadense nos últimos 10 anos (mesmo que esse visto já esteja vencido) ou para quem tenha um visto válido para entrar nos Estados Unidos.

+ Como tirar o visto para os Estados Unidos: passo a passo

Em vez do visto, será necessário emitir um eTA (eletronic Travel Authorization, em português, ‘autorização eletrônica para viajar’). O documento deve ficar vinculado ao passaporte e será válido por 5 anos ou até a data de vencimento do passaporte.

O eTA custa 7 dólares canadenses (cerca de R$ 16) e permite a permanência do turista por até seis meses no Canadá. Mas o limite da permanência do visitante será determinado pelo funcionário da fronteira – normalmente, eles estipulam menos tempo.

Além dos brasileiros, os búlgaros e romenos também estão “isentos” de emitir um visto canadense caso já tenham o visto norte-americano.
Facilidade do visto é promessa antiga

Esta não é a primeira vez que o governo do Canadá anuncia a mudança para facilitar a vida dos brasileiros. O país já havia prometido implantar a medida a partir de março de 2016, mas até agora, nada mudou. Será que agora vai?
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O que está em jogo com o decreto anti-migratório de Trump


Decisão do presidente americano de barrar e deportar refugiados gera críticas de líderes de Estado e provoca uma série de protestos nos EUA


Foto: NICHOLAS KAMM / AFP


Manifestações, condenações internacionais e indignação global: nove dias depois de chegar ao poder, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentou neste domingo avalanche de críticas, após sua decisão de fechar as fronteiras a todos os refugiados e a cidadãos de sete países de maioria muçulmana. Milhares de manifestantes se reuniram para protestar contra a medida, e chefes de Estado criticaram duramente a decisão.

O magnata nada mais fez que cumprir suas promessas de campanha, defendeu seu porta-voz, Sean Spicer, em alusão à assinatura, durante toda a semana, de ordens executivas sobre saúde, imigração clandestina, combate ao extremismo e petróleo.

Entenda, a seguir, como o decreto de Trump anti-imigração afeta muçulmanos e refugiados que queiram entrar nos Estados Unidos, além de pessoas ligadas ao cinema e ao esporte.


Pessoas afetadas
Síria: todos os sírios, cujo país vive guerra desde 2011, são proibidos de entrar em território americano até nova ordem.

Cidadãos de Iraque, Irã, Iêmen, Somália, Sudão e Líbia: o texto proíbe que entrem nos Estados Unidos durante 90 dias, período no qual serão revistos os critérios de concessão de vistos.

A Casa Branca e o Departamento de Estado afirmaram que o decreto envolve todos os cidadãos desses países, com exceção dos que têm dupla nacionalidade americana e certos vistos diplomáticos.

Programa de admissão de refugiados
O decreto suspende durante 120 dias o programa de admissão de refugiados, um dos mais ambiciosos do mundo para a recepção de vítimas de conflitos. Criado em 1980, permitiu que os Estados Unidos acolhessem 2,5 milhões de pessoas. O programa já havia sido congelado durante três meses, logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

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Apple, Google e Facebook
Os CEOs de Netflix, Google e Apple, entre outros, se manifestaram contra a medida, e recomendaram que todos os funcionários a trabalho fora do país retornem imediatamente.

O indiano Sundar Pichai, do Google, escreveu um memorando à companhia criticando o decreto: "É doloroso ver o custo pessoal deste decreto em nossos colegas. Estamos tristes como essa medida pode impor restrições a funcionários do Google e suas famílias, ou como ela pode criar barreiras para trazer grandes talentos aos Estados Unidos", escreveu ele.

O CEO da Apple, Tim Cook, lembrou, em e-mail interno para os funcionários, que "a Apple não existiria sem imigração", uma vez que o fundador da companhia, Steve Jobs, é filho de sírios.

Mark Zuckerberg e Reed Hastings — CEOs do Facebook e da Netflix, respectivamente — fizeram manifestações menos formais. "Os Estados Unidos são uma nação de imigrantes, e devíamos nos orgulhar disso", afirmou Mark Zuckerberg. Hastings classificou a medida como "não americana", e chamou a população dos EUA a "dar os braços" e lutar contra o decreto de Trump.

Companhias aéreas
A proibição de viagens para pessoas com nacionalidade de sete países do Oriente Médio pegou a indústria aérea despreparada, com a tripulação de voo desses locais também proibida de entrar no país, disse a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês).

A Fiscalização de Alfândega e Proteção de Fronteira dos EUA informou ao grupo que os portadores de passaportes de países como Irã e Iraque, incluindo a tripulação de cabine, serão impedidos de entrar nos EUA.

As companhias aéreas dizem que podem perder negócios, citando como exemplo os cerca de 35 mil viajantes do Irã que visitaram os EUA em 2015.

Jogos olímpicos
O capitão da seleção americana de futebol, Michael Bradley, criticou as restrições migratórias. As medidas poderiam ter consequências negativas sobre a candidatura de Los Angeles aos Jogos Olímpicos de 2024. A cidade compete com Budapeste e Paris para receber o maior evento esportivo do mundo, cuja escolha será feita em setembro, em Lima, no Peru.

Cinema
O cineasta iraniano Asghar Farhadi, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por O Apartamento, anunciou ontem que não comparecerá à cerimônia de entrega dos prêmios da Academia de Hollywood.