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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Trump retoma patriotismo econômico e corta a contratação de trabalhadores estrangeiros


O presidente assina ordem executiva que limita os vistos para profissionais qualificados
Medida também potencializa a compra de produtos norte-americanos


Donald Trump antes de viajar para Wisconsin. AFP


Donald Trump voltou à sua zona de conforto. Em uma fábrica de chaves de fenda, em Kenosha (Wisconsin), o presidente dos Estados Unidos retomou nesta terça-feira seu discurso mais nacionalista e assinou uma ordem executiva para restringir a entrada de imigrantes ao mercado de trabalho e potencializar a compra de produtos norte-americanos. É o velho sonho da América profunda, aquela que olha para o mundo externo e seus habitantes com desconfiança, e que nas mãos de Trump conduziu à narrativa xenófoba e isolacionista que marcou sua campanha.


América Primeiro. Este é o lema que Trump invoca sempre que tenta mudar o ritmo. Depois de algumas semanas nas quais, sobrecarregado pelo peso da realidade, abandonou muitos de seus postulados eleitorais (deixou de atacar a China, bombardeou o regime sírio e até elogiou a OTAN), o presidente voltou às raízes. A esse caudal de votos que maneja tão bem e que lhe deu nos depauperados estados do antigo cinturão industrial a vantagem que lhe permitiu derrotar Hillary Clinton.

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Diante de um público comprometido, voltou a acusar a China de participar da espoliação dos Estados Unidos, ameaçou mais uma vez sair do NAFTA se não houver “grandes mudanças”, qualificou de desastre a Organização Mundial do Comércio e apresentou a cereja do bolo do dia: a ordem executiva a partir da qual nos próximos 220 dias os departamentos federais devem revisar suas políticas à luz da doutrina do compra de americano, contrata americano. “Esta medida protegerá os trabalhadores como vocês. Chegou a hora. Acreditem”, disse Trump.

A diretriz dá prioridade aos nativos e representa um novo golpe ao legado de Barack Obama em matéria de imigração e vistos. Especialmente prejudicado fica o capítulo dedicado aos trabalhadores altamente qualificados: 85.000 vistos (H-1B) que são oferecidos anualmente e que alimentam as indústrias mais avançadas do Silicon Valley. Uma janela muito procurada por profissionais estrangeiros, mas que para a Administração Trump representa “um exemplo de abuso” e uma forma de “reduzir o emprego americano e reduzir salários”.

“Aos 80% dos que entram em nosso país por este programa se paga menos do que a média dos trabalhadores em idênticas condições”, afirmou um funcionário de alto escalão da Casa Branca. Nesse sentido, a ordem pretende reduzir o número de beneficiados e limitar a concessão apenas aos “mais talentosos”. Esta restrição foi rejeitada pelas grandes empresas de tecnologia. Alertam que seu efeito pode ser o contrário do desejado e que não se descarta que estimule a fuga das empresas para o exterior.

Outro objetivo da ordem é reativar a compra de produtos fabricados nos EUA. Para isso, cortará as isenções às importações que se aplicam a quase 60 países. Símbolo desta política é o aço norte-americano. Um material que Trump já prometeu que será de uso obrigatório em seu plano de infraestrutura e que a normativa não admite que proceda de material fundido no exterior, apesar de o produto acabado ser feito nos Estados Unidos. “É preciso assegurar que os benefícios do Compre de Americano sejam compartilhados em toda a cadeia de produção”, afirmou um porta-voz da Casa Branca.

Em um momento em que as pesquisas não sorriem para Trump, este retorno ao patriotismo econômico tenta reativar seu capital político. Nas últimas semanas, o eleitorado viu seu presidente mergulhar no labirinto internacional. Síria, Afeganistão e Coreia do Norte se afastaram do universo que votou nele. Uma distância que o governante, consciente de sua fragilidade eleitoral, tenta encurtar sempre que pode. Às vezes com discursos, outras com regras criadas para impactar seu criadouro natural. Esta é uma delas. Altissonante, nacionalista e com forte apelo nas pesquisas. O tipo de política de que Trump gosta.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Trump promete expulsar imigrantes ilegais no início do mandato


ELEIÇÕES NOS EUA 2016


Trump promete expulsar imigrantes ilegais no início do mandato
Republicano diz que imigrantes criminosos serão expulsos 'no primeiro dia'.
Ele promete ainda anular decretos que regularizam residência de milhares.





O candidato republicano à Casa Branca Donald Trump vinculou a imigração clandestina ao desemprego e prometeu expulsar centenas de milhares de delinquentes que residem ilegalmente nos Estados Unidos já no início de seu eventual mandato, que começaria em janeiro de 2017.

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"No primeiro dia, expulsarei rapidamente os imigrantes criminosos deste país, entre eles centenas de milhares que foram postos em liberdade sob a administração Obama-Clinton", declarou o candidato republicano às eleições de novembro em ato organizado em Iowa (centro-norte) pela senadora republicana local Joni Ernst.

Trump insistiu em seu projeto de construir um grande muro na fronteira com o México e em seu plano de reforçar os controles para localizar os imigrantes ilegais que tentarem se beneficiar da previdência social ou os estrangeiros que permanecerem sem visto em território americano.

"Se não controlarmos as datas de expiração dos vistos, nossa fronteira permanecerá aberta, é simples assim", afirmou.

O magnata comprometeu-se a anular os decretos do presidente Barack Obama, que regularizaram de forma temporária a residência de milhares de imigrantes e prometeu deixar os policiais fronteiriços "finalmente fazer o trabalho para o qual foram recrutados".

"Um voto em Trump é um voto no Estado de direito, um voto em (Hillary) Clinton é um voto a favor das fronteiras abertas", declarou, em alusão à sua adversária democrata.

Ele repetiu sua convocação ao eleitorado negro, lançada há vários dias. Após descrever a pobreza que afeta a comunidade negra e lembrar a morte de uma jovem mãe de família atingida por uma bala perdida na cidade de Chicago, Trump perguntou ao público: "O que têm a perder?".

Segundo afirmou, só uma nova política econômica e uma mudança de dirigentes permitirão resolver os problemas que afetam os negros americanos, enquanto a expulsão dos imigrantes ilegais permitiria absorver o desemprego.

"Cada vez que um cidadão negro ou qualquer cidadão perde o seu trabalho por causa de um imigrante clandestino, os direitos destes cidadãos americanos são absolutamente violados", afirmou.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

"Torno-me cidadão porque estou preocupado que Trump ganhe"




ELEIÇÕES EUA 2016

“Torno-me cidadão porque estou preocupado que Trump ganhe”

O grande número de eleitores naturalizados nos Estados Unidos pode influenciar a eleição e ameaça o Partido Republicano no longo prazo

Os imigrantes nos Estados Unidos estão pedindo a nacionalidade em número recorde e a única explicação à vista é Donald Trump. Um candidato a presidente que prometeu não só expulsar todos os imigrantes sem documentos, mas também endurecer as leis de imigração para os demais. Diante dessa ameaça só há uma solução segura: deixar de ser imigrante. Essa tendência se acrescenta à mobilização sem precedentes que Trump provocou no eleitorado latino, muito identificado com os imigrantes e sua falta de apoio entre a maioria dos norte-americanos que acreditam que é necessária uma reforma migratória. Ter um candidato que insulta e ameaça os imigrantes parece que pode custar caro ao Partido Republicano no longo prazo.

O mexicano José González com seu pedido de cidadania no sábado, em Anaheim. APU GOMES


Um estudo publicado em setembro pelo professor Manuel Pastor, especialista em integração de imigrantes da Universidade do Sul da Califórnia (USC), afirma que os pedidos de naturalização entre março e junho deste ano foram 32% superiores aos do mesmo período do ano passado. Esse aumento foi de 28% no trimestre anterior e de 14% no último trimestre de 2015. Os pedidos de naturalização tendem a aumentar em “tempos de mudança”, disse Pastor, mas esses números não são normais. Nos dois anos anteriores, o crescimento anual de solicitações foi de 2%, em média. Os Estados Unidos tornaram cidadãos entre meio milhão e um milhão de imigrantes por ano na última década.

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Os imigrantes naturalizados serão cerca de 9% dos eleitores no dia 8 de novembro. Destes, 38% são pessoas que se naturalizaram na última década, com uma experiência muito recente com o sistema de imigração. O estudo de Pastor revela a influência desse grupo em Estados-chave nessa eleição, aqueles com peso no colégio eleitoral que elege o presidente e que não estão claramente decididos. Os naturalizados são 7,8% dos eleitores no Arizona, 5,1% no Colorado, 14,8% na Flórida e 4,3% na Pensilvânia. São números importantes em Estados onde a diferença de votos costuma ser mínima.

No sábado, na igreja River Church de Anaheim, na Califórnia, várias organizações (Chirla, Occord e World Relief, com o apoio dos consulados do México, Guatemala e El Salvador) montaram uma feira de naturalização de imigrantes. Advogados de imigração fizeram consultas gratuitas e dezenas de voluntários ajudaram a fazer pedidos de cidadania. Centenas de pessoas vieram para um dos maiores eventos desse tipo, de acordo com os organizadores, que já aconteceu no condado de Orange, no sul de Los Angeles.

Alicia Rivera, de 56 anos e natural de Michoacán, no México, que vive nos EUA há18, disse que “é importante participar das eleições” e que tinha notado um aumento do interesse devido às propostas de Trump. “É isso mesmo, as pessoas têm medo. Gente que agora possui a residência teme que possam retirá-la”. Além disso, ela o faz por aqueles que não têm documentos e não podem votar. “Como temos estatuto legal, podemos ajudar nossa gente que não tem. É amor ao próximo”. Rivera disse que votaria em Hillary Clinton se pudesse. Todos os consultados na feira votariam em Clinton.
Yanina Damas e sua família preenchem os papéis para se tornar cidadãos. APU GOMES




“As pessoas estão com medo de que Trump ganhe e estão se animando a se tornar cidadãos”, diz a advogada especializada em imigração Yvette Gutiérrez, que atendeu gratuitamente na feira da River Church. Ela viu um aumento nos pedidos de cidadania de cerca de 60% em seu escritório nos últimos seis meses e disse que a razão principal apontada por seus clientes é a eleição presidencial. Gutiérrez, que trabalha voluntariamente em muitas dessas feiras gratuitas, diz que em Anaheim, no sábado, havia “o triplo de pessoas em relação ao normal”.

Normalmente, os imigrantes interessados na nacionalidade são idosos que esperaram por causa da língua (a partir de 50 anos de idade e de 15 como residente é possível fazer a prova de espanhol), porque não podiam pagar os 680 dólares (cerca de 2190 reais) que custa o pedido ou porque simplesmente nunca tinham se dado conta de que lhes fazia falta até que começam a pensar na aposentadoria e percebem que têm mais benefícios como cidadãos.

Mas nessa feira havia jovens como José González, de Iucatã, no México, de 40 anos, que vive na Califórnia há 13 anos. “Estou me tonando cidadão para poder votar. Por causa de Donald Trump. Eu poderia ter feito isso há muito tempo, mas foi vendo Trump que me decidi”, disse ao EL PAÍS. González veio para os Estados Unidos ilegalmente e obteve a residência quando se casou com uma cidadã norte-americana. Como ele, milhões de pessoas são muito sensíveis ao discurso anti-imigração. “A maioria das pessoas que eu conheço está se tornando cidadã para votar por causa do que está acontecendo com Trump”. Se não puder votar para detê-lo nesta eleição, “para expulsá-lo nas próximas”.
Alicia Rivera com seu pedido de cidadania em Anaheim. APU GOMES




“Acredito que a América está vivendo um momento como o da Proposição 187”, diz em seu escritório da USC o professor Manuel Pastor. Ele se refere à lei proposta em 1994 pelo governador da Califórnia Pete Wilson e que, com um discurso muito semelhante ao de Trump, negava o acesso aos serviços públicos essenciais aos imigrantes irregulares. A mobilização das comunidades latinas, que até então nunca tinham participado na política, juntamente com as rápidas mudanças demográficas, derrubou o Partido Republicano no longo prazo.

O processo de naturalização nos EUA leva entre quatro e seis meses desde a apresentação do pedido. Isso significa que aqueles que apresentaram os papéis em maio ou talvez junho podem ser os últimos aptos a votar e influenciar essa eleição. Aqueles que o fizeram no último sábado em Anaheim não vão votar. Mas o efeito Trump sobre o eleitorado imigrante pode ser duradouro. Votarão nas próximas presidenciais, nas próximas legislativas dentro de dois anos, nas municipais do próximo ano e no conselho escolar do seu bairro. Assim durante décadas. “O voto nos Estados Unidos é muito constante”, explica Pastor. “As pessoas apoiam um partido e permanecem com ele durante anos”.

Foi o que aconteceu na Califórnia em 1994. A Proposição 187 foi aprovada com 60% dos votos e Pete Wilson foi reeleito. Mas a enorme mobilização dos imigrantes que provocou acabou condenando os republicanos no longo prazo. Aqueles imigrantes, seus filhos e seus netos ainda hoje percebem o Partido Republicano como um partido anti-imigrantes e votam nos democratas. Os latinos, com 39% da população, já são a minoria majoritária na Califórnia, à frente dos brancos. O Partido Republicano não tem um único posto estadual eleito e sua influência na política do Estado é nula. Em apenas duas décadas a Califórnia deixou de ser o Estado de Ronald Reagan para ser um Estado completamente democrata e os próprios republicanos admitem que a culpa é do governador Wilson.

Há mais de um ano, quando Trump começou a sequestrar a campanha das primárias do Partido Republicano, os analistas começaram a fazer comparações entre a política nacional e o que aconteceu na Califórnia. No início, era apenas uma intuição daqueles que tinham visto como funciona a xenofobia na política norte-americana. Os números mais recentes de naturalizações parecem querer lhes dar razão.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Americanos promovem no México voto contra Trump



MÉXICO;IMIGRAÇÃO;TRUMP

Americanos promovem no México voto contra Trump

Ativista quer mobilizar os quase 8 milhões de americanos que vivem no exterior a votar contra o magnata


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CIDADE DO MÉXICO – O voto de quase 1 milhão de americanos que vivem no México pode ser determinante para impedir que o candidato republicano, Donald Trump chegue à Casa Branca, considera a organização civil internacional Avvaz, que lançou, neste domingo, uma campanha com este fim.

“Vamos mobilizar os quase 8 milhões de americanos que vivem no exterior, dos quais quase 1 milhão vive no México, e queremos que eles votem para deter Trump”, disse Jospeh Huff-Hannon, gerente de campanhas da Avaaz, que promove o ativismo envolvendo temas ambientais, políticos e de direitos humanos.


Mexicanos promovem ato na Cidade do México contra Trump

“Esperamos que nunca cheguemos a ver este senhor na Casa Branca, nem o muro”, disse o americano Huff-Hannon, após assinalar que, “em 2000, o senhor George Bush conquistou a presidência dos Estados Unidos por uma questão de 500 votos na Flórida”.

Avvaz apresentou neste domingo, no emblemático monumento Anjo da Independência, no centro da Cidade do México, uma ferramenta digital para facilitar a votação de americanos expatriados nas eleições de seu país em novembro. As pesquisas mostram uma disputa acirrada entre Trump e a adversária, Hillary Clinton.
Diante de um boneco inspirado em Trump, 200 pessoas se reuniram, entre americanos e parentes, para se registrar, um dia antes do debate entre os candidatos à presidência americana.

O magnata do ramo imobiliário disse que bloqueará as remessas que os mexicanos nos Estados Unidos enviam a seu país de origem, para fazer com que o México pague seu projeto de um muro fronteiriço intransponível, e chamou os mexicanos de “ladões e estupradores”.

Trump “não é uma ameaça apenas para o México, é uma ameaça realmente global”, concluiu Huff-Hannon. / AFP