segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pelo menos 65 restaurantes fecham em Washington no Dia Sem Imigrantes


“Sem os imigrantes, os Estados Unidos parariam”

Washington 17 FEV 2017 - 12:24 BRST
Manifestantes em Washington. AARON P. BERNSTEIN REUTERS


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Washington não funcionou na quinta-feira em toda sua capacidade. Mais de 65 restaurantes ficaram fechados e centenas de empregados em lojas e estabelecimentos não foram trabalhar. Era o Dia Sem Imigrantes, que cumpriu seu objetivo: mostrar como são necessários os imigrantes– em grande parte, latinos – para o funcionamento diário de Washington, onde mais de 20% da população é estrangeira.


O protesto se espalhou por outras cidades dos Estados Unidos, como Nova York, Filadélfia e Houston, e ganhou maior relevância este ano com a chegada do novo presidente, Donald Trump, cujas primeiras semanas na Casa Branca confirmaram a forte retórica anti-imigrantes que já tinha anunciado durante a campanha eleitoral. Em menos de um mês, o republicano ordenou a construção de um muro ao longo da fronteira com o México, aprovou um veto migratório contra sete países de maioria muçulmana, e dirigiu batidas em cidades de todo o país para deportar pessoas em situação irregular, a maioria hispânicas.

Segundo dados do Migration Policy Institute, os imigrantes são cerca de 14% (45 milhões de pessoas) da população dos EUA. Destes, a metade são de países da América Latina. No mercado de trabalho, os imigrantes constituem 17% e seus empregos estão concentrados no setor de serviços, especialmente restaurantes, hotéis e pequenos estabelecimentos. “O homem laranja (referindo-se a Trump) quer se livrar da gente”, diz uma mulher hispânica e organizadora social de Washington, “mas somos a coluna vertebral deste país”.

Em Mount Pleasant, um tranquilo bairro latino do norte da capital, muitos moradores estavam em greve e suas empresas ficaram fechadas. Várias delas tinham cartazes colados em suas portas e janelas com o slogan “Todos unidos” e reivindicavam: “Senhor Presidente, sem nós e sem a nossa contribuição este país fica parado”. No centro cristão La Casa, mães, pais e filhos aproveitam o dia livre para participar de uma reunião com uma orientadora social, que oferece instruções sobre como atuar em casos de possíveis batidas das autoridades de imigração.

“Desde a entrada do novo presidente Trump acho que nós, os latinos, não dormimos tranquilos nenhum dia”, diz Julia Flores, uma salvadorenha que mora a poucas ruas de distância e está há 18 anos em Washington. “É importante sair às ruas hoje, não trabalhar, e mostrar ao Presidente Trump que um dia sem latinos é uma perda para o país”, acrescentou enquanto os participantes se preparam para começar uma manifestação na Casa Branca.

Mas nem todos têm a mesma visão. Do outro lado da rua, Anivar Gómez, um salvadorenho empregado do restaurante Pollo Sabroso, observa os manifestantes do balcão. “O chefe não está aqui, então não pudemos pedir para participar nos protestos”, diz Gómez. “Nós sempre apoiamos nosso povo, direta ou indiretamente. Espero que a marcha funcione”, ele diz. Duas lojas mais abaixo, o dono do Mercado Salvadorenho preferiu não para falar. “Não tenho muito a dizer sobre isso”, comenta desinteressado sobre o Dia Sem Imigrantes.
Restaurantes

Por toda a cidade, mais de 65 restaurantes, tanto norte-americanos quanto hispânicos, permaneceram fechados em sinal de apoio. Entre eles, o chef espanhol José Andrés fechou vários de seus conhecidos locais em Washington como sinal de apoio aos latinos. “Em solidariedade com os muitos imigrantes que empregamos, muitos dos nossos restaurantes na área de Washington vão ficar fechados”, de acordo com um comunicado de seu conglomerado ThinkFood.

Busboys and Poets, um restaurante popular que serve comida norte-americana, notificava com um cartaz colado em cada uma de suas janelas: “Apoiamos nossa comunidade”. A empresa fechou seus três restaurantes em Washington. Sweetgreen, uma rede de restaurantes de saladas, fechou suas 18 filiais na capital.

Em Nova York, o Blue Ribbon Sushi ficou fechado na hora do almoço. “Estamos 100% com nossos empregados, sejam eles imigrantes ou tenham nascido nos Estados Unidos, estejam trabalhando com o público ou na parte de trás”, dizia um cartaz na porta. “Quando trabalhadores que não faltaram um dia de trabalho em quase 25 anos pedem um dia para protestar contra a injustiça, a resposta é fácil”, acrescentava.

O local pertence a uma empresa com vários restaurantes da cidade que também se juntou ao protesto, um ato que, no entanto, foi mais simbólico que massivo. A maioria dos restaurantes de Manhattan, com uma elevada proporção de funcionários estrangeiros, funcionou normalmente, apesar de Nova York ser uma das cidades mais rebeldes contra as políticas de migratórias de Trump.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Canadá deixará de exigir visto para brasileiros a partir de maio


© image/jpeg canada-passaporte

A partir de 1° maio de 2017, o Canadá deve liberar brasileiros de tirar o visto para entrar no país. Mas a medida só vale para quem já tenha tirado o visto canadense nos últimos 10 anos (mesmo que esse visto já esteja vencido) ou para quem tenha um visto válido para entrar nos Estados Unidos.

+ Como tirar o visto para os Estados Unidos: passo a passo

Em vez do visto, será necessário emitir um eTA (eletronic Travel Authorization, em português, ‘autorização eletrônica para viajar’). O documento deve ficar vinculado ao passaporte e será válido por 5 anos ou até a data de vencimento do passaporte.

O eTA custa 7 dólares canadenses (cerca de R$ 16) e permite a permanência do turista por até seis meses no Canadá. Mas o limite da permanência do visitante será determinado pelo funcionário da fronteira – normalmente, eles estipulam menos tempo.

Além dos brasileiros, os búlgaros e romenos também estão “isentos” de emitir um visto canadense caso já tenham o visto norte-americano.
Facilidade do visto é promessa antiga

Esta não é a primeira vez que o governo do Canadá anuncia a mudança para facilitar a vida dos brasileiros. O país já havia prometido implantar a medida a partir de março de 2016, mas até agora, nada mudou. Será que agora vai?
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O que está em jogo com o decreto anti-migratório de Trump


Decisão do presidente americano de barrar e deportar refugiados gera críticas de líderes de Estado e provoca uma série de protestos nos EUA


Foto: NICHOLAS KAMM / AFP


Manifestações, condenações internacionais e indignação global: nove dias depois de chegar ao poder, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentou neste domingo avalanche de críticas, após sua decisão de fechar as fronteiras a todos os refugiados e a cidadãos de sete países de maioria muçulmana. Milhares de manifestantes se reuniram para protestar contra a medida, e chefes de Estado criticaram duramente a decisão.

O magnata nada mais fez que cumprir suas promessas de campanha, defendeu seu porta-voz, Sean Spicer, em alusão à assinatura, durante toda a semana, de ordens executivas sobre saúde, imigração clandestina, combate ao extremismo e petróleo.

Entenda, a seguir, como o decreto de Trump anti-imigração afeta muçulmanos e refugiados que queiram entrar nos Estados Unidos, além de pessoas ligadas ao cinema e ao esporte.


Pessoas afetadas
Síria: todos os sírios, cujo país vive guerra desde 2011, são proibidos de entrar em território americano até nova ordem.

Cidadãos de Iraque, Irã, Iêmen, Somália, Sudão e Líbia: o texto proíbe que entrem nos Estados Unidos durante 90 dias, período no qual serão revistos os critérios de concessão de vistos.

A Casa Branca e o Departamento de Estado afirmaram que o decreto envolve todos os cidadãos desses países, com exceção dos que têm dupla nacionalidade americana e certos vistos diplomáticos.

Programa de admissão de refugiados
O decreto suspende durante 120 dias o programa de admissão de refugiados, um dos mais ambiciosos do mundo para a recepção de vítimas de conflitos. Criado em 1980, permitiu que os Estados Unidos acolhessem 2,5 milhões de pessoas. O programa já havia sido congelado durante três meses, logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

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Apple, Google e Facebook
Os CEOs de Netflix, Google e Apple, entre outros, se manifestaram contra a medida, e recomendaram que todos os funcionários a trabalho fora do país retornem imediatamente.

O indiano Sundar Pichai, do Google, escreveu um memorando à companhia criticando o decreto: "É doloroso ver o custo pessoal deste decreto em nossos colegas. Estamos tristes como essa medida pode impor restrições a funcionários do Google e suas famílias, ou como ela pode criar barreiras para trazer grandes talentos aos Estados Unidos", escreveu ele.

O CEO da Apple, Tim Cook, lembrou, em e-mail interno para os funcionários, que "a Apple não existiria sem imigração", uma vez que o fundador da companhia, Steve Jobs, é filho de sírios.

Mark Zuckerberg e Reed Hastings — CEOs do Facebook e da Netflix, respectivamente — fizeram manifestações menos formais. "Os Estados Unidos são uma nação de imigrantes, e devíamos nos orgulhar disso", afirmou Mark Zuckerberg. Hastings classificou a medida como "não americana", e chamou a população dos EUA a "dar os braços" e lutar contra o decreto de Trump.

Companhias aéreas
A proibição de viagens para pessoas com nacionalidade de sete países do Oriente Médio pegou a indústria aérea despreparada, com a tripulação de voo desses locais também proibida de entrar no país, disse a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês).

A Fiscalização de Alfândega e Proteção de Fronteira dos EUA informou ao grupo que os portadores de passaportes de países como Irã e Iraque, incluindo a tripulação de cabine, serão impedidos de entrar nos EUA.

As companhias aéreas dizem que podem perder negócios, citando como exemplo os cerca de 35 mil viajantes do Irã que visitaram os EUA em 2015.

Jogos olímpicos
O capitão da seleção americana de futebol, Michael Bradley, criticou as restrições migratórias. As medidas poderiam ter consequências negativas sobre a candidatura de Los Angeles aos Jogos Olímpicos de 2024. A cidade compete com Budapeste e Paris para receber o maior evento esportivo do mundo, cuja escolha será feita em setembro, em Lima, no Peru.

Cinema
O cineasta iraniano Asghar Farhadi, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por O Apartamento, anunciou ontem que não comparecerá à cerimônia de entrega dos prêmios da Academia de Hollywood.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Papa pede que sejam tomadas medidas possíveis para proteger imigrantes


O Papa Francisco em visita à pastoral de Santa Maria, em Roma


O papa Francisco pediu neste domingo (15) que sejam tomadas "todas as medidas possíveis" para proteger os jovens refugiados, um dia depois do último naufrágio de imigrantes no mar Mediterrâneo.

O pedido do papa foi feito neste domingo (15), que marca o Dia Mundial dos Imigrantes no calendário da igreja.

A guarda costeira italiana disse que apenas quatro pessoas sobreviveram depois que um barco com imigrantes afundou na costa da Líbia no sábado (14). Estima-se que 100 pessoas estavam a bordo e apenas oito corpos foram recuperados. Os esforços de busca e recuperação continuaram neste domingo (15).

Em sua bênção à tarde, Francisco lembrou que o tema deste ano no dia do imigrante diz respeito à vulnerabilidade dos jovens imigrantes, "irmãos que muitas vezes fogem de casa sozinhos e enfrentam tantos perigos", disse o papa.

"Devemos adotar todas as medidas possíveis para garantir aos jovens imigrantes proteção e defesa, bem como integração", acrescentou.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Imigrações atuais no Brasil



IMIGRAÇÕES ATUAIS NO BRASIL
GEOGRAFIAAs imigrações atuais no Brasil vêm expandindo-se exponencialmente ao longo dos últimos anos, revelando um novo cenário demográfico no país.



A história sempre narrou diversos ciclos de imigrações para o Brasil, seja durante o período de colonização, seja durante os tempos posteriores. Ao longo dos séculos, vários povos ocuparam o nosso país, a maioria formada por europeus, mas também chineses, japoneses, latino-americanos, entre outros. No entanto, podemos dizer que o Brasil vive um novo momento no que diz respeito ao tema das imigrações internacionais.

Ao longo dos últimos anos, houve um movimento crescente de grupos estrangeiros no Brasil, advindos tanto de países desenvolvidos quanto de países subdesenvolvidos. Segundo dados do Conare (Comitê Nacional para Refugiados) e do Ministério da Justiça, só entre os anos de 2010 e 2012, o número de pessoas pedindo refúgio para o Brasil triplicou.

A tendência é que as imigrações atuais no Brasil continuem aumentando, sobretudo de populações advindas de países subdesenvolvidos ou com uma precária situação econômica, além de povos de regiões marcadas por grandes conflitos, com destaque para povos da Palestina.


Nos últimos anos, uma grande leva de haitianos veio para o Brasil, através da Amazônia, em busca de emprego e melhores condições de vida. Durante a Copa do Mundo de 2014, o mesmo processo ocorreu, destacando-se os imigrantes oriundos de Gana, que se deslocaram para o Brasil em função do torneio, mas não retornaram para o seu país de origem. Outros países que se destacaram no envio de imigrantes foram Bangladesh, Senegal, Angola, entre outros.

Da mesma forma que o número de estrangeiros no Brasil vem aumentando, o número de brasileiros no exterior vem diminuindo. Entre 2004 e 2012, a presença de brasileiros fora do país caiu pela metade, de 4 milhões para 2 milhões, com o principal destino de moradia sendo Portugal.

O que se percebe é que as recentes evoluções do Brasil no cenário econômico, além da relativa prosperidade dos países emergentes frente à crise financeira no mundo desenvolvido, vêm contribuindo para que países em desenvolvimento – principalmente os do grupo do BRICS – tornem-se lugares atrativos para as rotas migratórias internacionais.

Mas a expansão das imigrações atuais no Brasil vem acompanhada por uma série de fatores, a saber:

a) aumento da xenofobia: o Brasil, apesar de sua internacionalmente reconhecida receptividade, vem aumentando os casos de xenofobia, sobretudo para com as populações advindas de países subdesenvolvidos. Para parte da população, os grupos estrangeiros trazem doenças, “roubam” vagas de empregos e “ameaçam” a identidade cultural do país. O curioso é que esses argumentos são semelhantes aos impostos aos brasileiros no exterior, notadamente na Europa.

b) condições de vida precárias: muitos dos estrangeiros no Brasil sofrem com as precárias condições de vida que aqui encontram, sobretudo no momento em que chegam, quando ainda não dispõem de emprego, moradia, comida e dinheiro, além de sequer conhecerem o idioma português. Isso demanda maiores esforços das autoridades para atender as necessidades básicas desses povos, a fim de que condições básicas de direitos humanos sejam cumpridas. Não são poucos os casos de trabalhos análogos ao escravo praticados no país, sobretudo com migrantes haitianos na região Norte.


Imigrantes haitianos alojados em um abrigo improvisado no Acre, em janeiro de 2014 *

c) aumento do tráfico de pessoas: com o Brasil tornando-se um novo centro de atração de imigrantes ilegais, aumenta o número de tráfico de pessoas. Atualmente, os principais esforços do governo brasileiro é de investigar e punir a prática desses grupos, que além de cobrarem alto pela “ajuda” na imigração ilegal, cometem vários crimes contra os direitos humanos durante o percurso.

Muitas pessoas imaginam que os imigrantes sejam prejudiciais para a economia, sobretudo no sentido de elevar o desemprego, mas isso não é totalmente uma verdade. Em muitos casos, registra-se a presença de imigrantes com formação em nível superior ocupando cargos que muitas vezes ficam ociosos por aqui por falta de capacitação técnica, embora o número de pessoas com formação superior no Brasil tenha aumentado significativamente na última década. Além disso, mesmo com o aumento de imigrantes, o desemprego no Brasil vem caindo nos últimos tempos.

Apesar de ser necessário o estabelecimento de um maior controle sobre o número de imigrações atuais no Brasil, além de um maior empenho no combate a quadrilhas de tráfico de pessoas, é preciso também atender as necessidades básicas daqueles que aqui chegam. Um exemplo é o caso dos migrantes advindos do Haiti: eles não poderiam permanecer no Brasil segundo nossas leis de imigração, mas muitos receberam vistos humanitários, haja vista que uma deportação em massa e imediata poderia transformar-se em um terrível crime de violação aos Direitos Humanos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Canadá receberá 300 mil imigrantes ao ano a partir de 2017

France Presse
Canadá receberá 300 mil imigrantes ao ano a partir de 2017
Justificativa é a pressão econômica ligada ao envelhecimento de população.
Mais da metade será de solicitante de empregos; meta inclui refugiados.

Da France Presse

O Canadá começará a receber um mínimo de 300 mil imigrantes anualmente a partir de 2017 para diminuir a pressão econômica, vinculada ao envelhecimento da população, anunciou nesta segunda-feira (31) o ministro da Imigração, John McCallum.


A cifra, alinhada ao incomum alto número de imigrantes recebidos este ano, está, no entanto, muito abaixo das expectativas depois que um informe na semana passada sugeriu um aumento de 50%, ou seja, até 450 mil imigrantes anualmente.


Se o plano for aplicado, o Canadá estará em vias de triplicar sua população no fim deste século.


"Em 2016, saltamos para 300 mil em grande medida como consequência das nossas ações especiais com relação aos refugiados sírios", disse McCallum.


"O que estou anunciando hoje é que em 2017 fixaremos a cifra de 300 mil como permanente, e se tornará a base do crescimento futuro da imigração", disse, acrescentando que a taxa está "40 mil acima da norma histórica".


Mais da metade dos recém-chegados serão solicitantes de emprego e investidores.


O restante dos recém-chegados inclui cônjuges, filhos ou pais de cidadãos naturalizados, refugiados e outros aceitos por razões humanitárias.


A grande afluência de imigrantes este ano foi especialmente impulsionada pelo reassentamento urgente de 30 mil refugiados sírios em situação desesperadora.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Saiba como conseguir a cidadania italiana no Brasil


Saiba como conseguir a cidadania italiana no Brasil
O primeiro passo é entrar com um pedido de solicitação do reconhecimento em um Consulado Italiano que atende ao seu Estado
Por Da Redação
access_time27 jun 2015, 12h24 - Atualizado em 6 dez 2016, 15h59chat_bubble_outlinemore_horiz


Saiba como conseguir a cidadania italiana no Brasil (iStock/Getty Images)

A Itália é um dos países que reconhecem a cidadania pelo conceito de jus sanguini, ou seja, o direito de sangue. Isso significa que brasileiros que tenham descendência italiana podem requerer pela dupla-cidadania independente se são filhos, netos, bisnetos ou mesmo tataranetos de italianos.


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Para conseguir a dupla-cidadania não há limite de gerações, no entanto, há algumas questões de gênero. Caso os ascendentes forem todos homens, não há problemas, mas, se for mulher, é preciso que seus filhos tenham nascido após 1948. Isso porque, segundo a legislação italiana, as mulheres não podiam transmitir sua nacionalidade para filhos ou maridos. Essa lei vigorou em países ocidentais até recentemente, mas caiu na França em 1973, na Alemanha em 1979, na Itália e Espanha em 1983.

O primeiro passo para conseguir cidadania italiana é procurar pelo Consulado Italiano que atende ao seu Estado e entrar com um pedido de solicitação do reconhecimento. Confira todas as informações necessárias para conseguir a cidadania italiana aqui no Brasil:


1. Quem tem direito à cidadania



(iStockphoto/Getty Images)


Todos aqueles que forem descendentes de italianos têm direito à cidadania, mas existem algumas limitações quanto à transmissão pela linha materna – apenas os nascidos após 1948 têm o direito. Filhos nascidos de união não matrimonial, casos de reconhecimento de paternidade ou maternidade durante a minoridade do filho e adoção estão inclusos no direito de cidadania. Casamentos de mulheres com descendentes de italianos também dão à mulher o direito a cidadania. Já os homens não poderão ter a dupla-cidadania reconhecida se se casarem com italianas ou descendentes de italianos(as), somente os filhos deste casal poderão ter o reconhecimento. Os homens, neste caso, podem requerer a naturalização italiana.


Filhos de italianos naturalizados brasileiros – A naturalização brasileira do ascendente italiano não impede que seus descendentes tenham a cidadania italiana, desde que sua naturalização tenha ocorrido depois do nascimento dos filhos.

2. Quais são os documentos necessários



(Ciro Fusco/EFE)

Para os filhos de italianos é preciso certidão de nascimento, certidão de casamento, certidão de óbito (caso ascendente tenha falecido) e carteira de identidade original do pai ou mãe e requerente. Para os netos, bisnetos ou trinetos de italianos, basta a certidão de nascimento, certidão de casamento, certidão de óbito (caso o ascendente seja falecido) e a certidão de naturalização (caso exista) de todos os ascendentes da família.

Cidadania herdada via casamento – se o matrimônio ocorreu antes de janeiro de 1983 a transferência se dará de forma automática. Nas cerimônias realizadas após esta data é necessário aguardar três anos para solicitar o título. Os documentos necessários são a certidão de nascimento, certidão de casamento e carteira de identidade do cônjuge.

3. Como funciona o processo


(iStockphoto/Getty Images)

Depois de descobrir se possui direito à cidadania italiana e reunir todos os documentos é preciso entrar na fila do Consulado Italiano que atende o seu Estado e aguardar uma convocação. Caso todos os documentos estejam corretos, os consulados convocam os requerentes para uma inscrição no cadastro consular. Após a conclusão do processo, os novos cidadãos italianos podem agendar a emissão do passaporte italiano.

4. Quanto tempo demora e quanto custa


(iStockphoto/Getty Images)

A aquisição da cidadania italiana no Brasil, junto ao Consulado Geral da Itália, pode demorar de 5 a 10 anos e os custos podem variar de entre os diferentes casos (dependendo do número de certidões que o processo exige), mas em média os requerentes gastam menos de 5.000 reais. As despesas envolvem burocracias como a emissão e retificações de documentos e traduções juramentadas.


5. Quais são os benefícios



(Paulo Pinto/Fotos Públicas)

Ao adquirir a cidadania italiana o cidadão poderá desfrutar dos mesmos privilégios e obrigações de uma pessoa nascida na Itália, podendo residir no país e usufruir de direitos como moradia, estudo, lazer e assistência médica. Os novos cidadãos têm direito, inclusive, à aposentadoria, depois de atendidos os requisitos legais (trabalho registrado, pagamento de contribuições e tempo de serviço, por exemplo).

Entre as facilidades, está o direito de entrar a residir legalmente em qualquer um dos outros 27 da União Europeia, além de permitir que sejam feitas viagens sem visto para Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e outros países. A cidadania também poderá ser transmitida aos descendentes.