domingo, 27 de junho de 2021

As mudanças na Lei abriram as portas para que mais netos e netas possam solicitar a nacionalidade portuguesa 🙂





Nacionalidade portuguesa para netos


As recentes mudanças à Lei de Nacionalidade (Lei nº 37/81) abriram as portas para que mais pessoas possam solicitar a nacinalidade. Se você é neto ou neta de português e deseja conquistar o passaporte da União Europeia, responda este formulário. Através dele iremos ajudá-lo nessa conquista!

- Não há custos associados ao preenchimento deste formulário.
- É importante que o neto ou neta do português originário esteja vivo.
- Daremos resposta no prazo de 30 dias. É importante ficar atento à caixa de SPAM do seu email.
- Os seus dados estão seguros. Você pode acessar a nossa política de privacidade aqui.

A Martins Castro possui ampla experiência em processos de nacionalidade portuguesa. Com sede em Lisboa e formada por advogados e consultores (genealogistas altamente qualificados) já auxiliamos dezenas de clientes brasileiros na conquista da dupla nacionalidade.

Para saber mais sobre este tipo de cidadania portuguesa, acesse o nosso site.
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quinta-feira, 24 de junho de 2021

Governo restringe entrada de estrangeiros no Brasil para evitar novas variantes


Portaria proíbe voos internacionais com destino/origem ou trânsito pela Irlanda do Norte, Índia, Reino Unido e África do Sul
Por AGÊNCIA BRASIL
24/06/21 - 11h07



Estrangeiros deverão seguir algumas regras para entrar em território nacional

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil


Portaria interministerial publicada no Diário Oficial da União de nesta quinta-feira (24) restringe, em caráter temporário e excepcional, a entrada de estrangeiros no país, conforme recomendação feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Veja o documento completo. O objetivo é impedir a entrada de pessoas contaminadas por variantes do novo coronavírus.

No final de maio, a Anvisa enviou aos ministérios que assinam a portaria (Casa Civil, Justiça e Saúde) algumas sugestões de regulamentação de medidas de contenção da entrada de novas variantes do novo coronavírus. Entre as sugestões estava a de suspensão de algumas exceções previstas para a entrada de estrangeiros, em especial relativas ao ingresso de trabalhadores marítimos de embarcações e plataformas oriundos de países onde essas variantes estão circulando.

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Pela sugestão da Anvisa, os estrangeiros procedentes desses países ficariam impedidos de ingresso no Brasil, caso não cumprissem determinados protocolos e requisitos; e os brasileiros em viagem de retorno desses países precisariam necessariamente cumprir quarentena de 14 dias na cidade de desembarque.

Regras

Seguindo essas orientações, a Portaria nº 655, publicada nesta quinta-feira, além de restringir a entrada de estrangeiros de qualquer nacionalidade – por rodovias, outros meios terrestres ou por transporte aquaviário – proíbe, em caráter temporário, voos internacionais tanto com destino quanto com origem ou passagem pelo Reino Unido, a Irlanda do Norte, África do Sul e Índia.

A portaria, no entanto, apresenta diversas situações consideradas excepcionais, o que garante direito de ingresso no país de estrangeiros, desde que seguindo protocolos e requisitos migratórios como a apresentação de documentos comprobatórios de realização de teste de identificação da covid-19. Entre as situações em que haverá autorização para ingresso no país está a operação de voos de cargas, manipuladas por trabalhadores paramentados com equipamentos de proteção individual (EPIs) e demais requisitos e protocolos descritos no documento.

As restrições descritas pela portaria não serão aplicadas em casos de tráfego de residentes fronteiriços em cidades gêmeas, tráfego de transporte rodoviário de cargas e na execução de ações humanitárias e de assistência emergencial para acolhimento e regularização migratória.

A portaria acrescenta que as medidas não se aplicam a imigrante com residência de caráter definitivo, por prazo determinado ou indeterminado, no território brasileiro; profissional estrangeiro em missão a serviço de organismo internacional, desde que identificado; funcionário estrangeiro acreditado junto ao governo brasileiro; e estrangeiros em situações específicas como cônjuges, companheiros, filhos, pais ou curadores de brasileiro.

Também é autorizado o ingresso de pessoas com autorização do governo brasileiro, tendo em vista o interesse público ou questões humanitárias, e portadores de Registro Nacional Migratório. Por fim, a portaria apresenta penalidades previstas para aqueles que descumprirem as medidas. Entre as penalidades estão responsabilizações civil, administrativa e penal; repatriação; deportação; e inabilitação de pedido de refúgio.

sábado, 15 de maio de 2021

São vestígios humanos dos tempos em que Portugal se aventurou pelo mundo. Descubra 9 povos que desc endem dos portugueses.






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Devido ao nosso historial de navegação, existem atualmente diversos povos cuja origem é portuguesa. A maioria destas comunidades foram criadas por marinheiros portugueses que ficaram por terras estrangeiras e que, com o tempo e os casamentos entre pessoas da mesma comunidade, criaram povos cuja origem é indubitavelmente portuguesa. Fique a conhecer alguns destes povos:


1. Kristang, Malásia
Kristang, Malásia

O nome deste povo deriva de “cristão”, o que é mais um atestado da sua origem, já que esta é uma comunidade que deriva maioritariamente de cristãos portugueses que chegaram a Malaca, na Malásia, durante o século XVI. Esta comunidade tem inclusive uma língua própria, o papiá kristang, que ainda hoje é falado em Malaca.

Pode-se também encontrar falantes deste dialeto em locais como Singapura, Reino Unido e até Perth, na Austrália, já que este dialeto foi levado por emigrantes Kristang para essas regiões.

2. Portugueses no Suriname
Suriname

Durante o século XIX (mais concretamente na segunda metade de 1800), ocorreu a chegada dos primeiros portugueses ao território do Suriname. O destino destes portugueses era a Guiana, e pensa-se que eram maioritariamente madeirenses, que foram transacionados como escravos para a Guiana Inglesa.



Alguns relatos dizem que, no entanto, cerca de 500 madeirenses chegaram ao Suriname em 1853 e que, após a abolição da escravatura, alguns anos mais tarde, estes homens decidiram permanecer no Suriname enquanto homens livres.

Ainda hoje existem ecos destes madeirenses, que deram origem a um pequeno povo que ainda hoje tem apelidos como Gouveia, Miranda, Correia, Gonsalves e Texeira. O idioma crioulo Sranan Tongo tem também influência portuguesa, sendo ainda usado por algumas comunidades.

3. Mardicas, na Indonésia
Indonésia

Os Mardicas (ou, em holandês, Mardijkers) foram um povo cuja origem era portuguesa, já que descendiam de escravos dos portugueses (que, por sua vez, tinham também origem nacional). O nome Mardica originou-se a partir do sânscrito Mahardahika, termo usado para descrever escravos que foram libertados.


Durante anos, a comunidade Mardica, que era cristã, falou um crioulo de origem portuguesa, que acabou por influenciar a língua indonésia. Atualmente, os Mardicas já não existem, e a língua já não é utilizada. Sobrevivem, no entanto, alguns apelidos de origem portuguesa e algumas canções em crioulo.

4. Bayingyi, na Birmânia
Bayingyis

Este povo teve a sua origem em portugueses (especialmente mercenários) que chegaram à antiga Birmânia durante os séculos XVI e XVII. Os Bayingyi eram cristãos, ao contrário dos restantes povos da região, e tinham traços marcadamente europeus, como olhos e pele mais clara.

Bayingyi deriva da palavra árabe “fheringi”, termo usado para descrever qualquer pessoa de origem europeia. Nos dias de hoje, os Baryingyi ainda existem, embora os traços físicos distintivos não estejam tão presentes na comunidade como estavam antigamente. A cultura e a religião, no entanto, permanecem como pilares sólidos deste povo.

5. Comunidade Portuguesa em Aceh, Indonésia
Criança de Lamno, Indonésia

Numa cidade chamada Lamno, na Indonésia (região do Aceh), existe uma pequena comunidade descendente de portugueses, conhecida como os “mata biru” (que significa “olhos azuis”, já que uma característica distintiva de muitos membros desta comunidade são precisamente os olhos desta cor).

Hoje em dia, a comunidade é muito reduzida, já que o tsunami de 2004 devastou a região e reduziu a população mata biru a uma ou duas dezenas de pessoas. Esta comunidade, apesar de aceitar a sua ascendência portuguesa, converteu-se ao islamismo há muitos séculos.

6. Luso descendentes no Senegal
Ziguinchor

Na cidade de Ziguichor, no Senegal, existe uma comunidade de dezenas de milhares de pessoas com apelidos de origem portuguesa e que têm como língua um crioulo português, que derivou do crioulo da Guiné-Bissau. Existe até um Centro da Língua Portuguesa em Ziguichor, tendo até alguns serviços públicos adotado a nossa língua como língua oficial.

7. Burghers Portugueses, no Sri Lanka
Burghers

Hoje é conhecida como Sri Lanka, mas nos tempos dos descobrimentos era o Ceilão. Aqui, os portugueses deram origem a um povo chamado Burghers Portugueses (e que são assim chamados para se diferenciarem dos Burghers, de origem cingalesa e holandesa).

Falavam um crioulo de origem portuguesa que, infelizmente, é hoje apenas uma linguagem falada, que se concentra principalmente nas províncias de Batticaloa e Trincomalee. Existem ainda muitos apelidos portugueses, como Salgado, Fonseca, Silva e Pereira. Muita da população emigrou para o Canadá. Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.

8. Luso-indianos na Índia
Basílica do Bom Jesus (Goa)

Numa pequena vila indiana chamada Korlai, no distrito de Raigad, existe um crioulo (conhecido como Kristi) que ainda hoje é falado por cerca de mil pessoas. O nome deste dialeto deriva da palavra “Cristo”. Os falantes, no entanto, chamam-lhe “nou ling”, ou “a nossa língua”.

Nesta vila, existem ainda ruínas de um forte português, mas a maior prova da existência de um povo cuja origem é portuguesa é a própria língua, já que existem hoje poucos luso-descendentes.

9. Mardicas de Tugu, na Indonésia
Tugu

Voltando à Indonésia, podemos encontrar na vila de Tugu, na Ilha de Java, vestígios de um povo de origem portuguesa que em tempos era dominante aqui e do qual hoje apenas existem canções que usam o crioulo que por estes era falado.

Apesar de Portugal nunca ter colonizado esta região, os portugueses e seus descendentes (Mardicas) foram levados para esta zona como escravos dos holandeses, e acabaram por casar tanto entre eles próprios como com holandeses, criando uma comunidade que se manteve viva até há cerca de 40 anos atrás (altura em que o último falante deste crioulo faleceu). Hoje, apenas restam as influências na língua, nos costumes, na música e nos nomes.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Documentário brasileiro sobre a imigração italiana estreia na Netflix e vai ser exibido no festival de Trento

  
Imagem da cidade italiana de Rovereto, que aparece no documentário "Legado Italiano"(Foto Divulgação)

Por Jornalista Desiderio Peron
-31 de março de 2021 15:02


Acaba de estrear no catálogo da Netflix Brasil onde estará disponível já a partir de amanhã (01/04) o documentário “Legado Italiano”, de Márcia Monteiro, ambientado quase que integralmente na região da Serra Gaúcha. A obra que teve um um lançamento restrito nos cinemas por conta da pandemia, inclui tomadas na Itália e vai participar também o ‘Trento Film Festival’.

O documentário (O trailer pode ser assistido aqui) aborda os 145 anos da imigração italiana e os legados desse fenômeno para a cultura brasileira. “A religiosidade, a música, a gastronomia, a indústria, o dialeto talian e o vinho são alguns dos assuntos tratados no filme, a partir de entrevistas das famílias de descendentes dos imigrantes italianos no Brasil e entrevistas na Itália”, explicam os produtores.
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Segundo a diretora Marcia Monteiro, o ‘Trento Film Festival 2021’ é um dos mais tradicionais da Itália e acontecerá entre 30 de abril e 9 de maio. “Além da Serra Gaúcha, o porto de Gênova e as regiões do Trentino e do Vêneto são cenários do documentário. Agora a nossa expectativa é que o filme também seja distribuído na Itália”, comenta.

No ano passado, o longa, coproduzido pela Celeiro Produções, Globo Filmes e Globo News, também foi exibido no Most Festival Internacional de Cinema del Vi i el Cava, na Espanha. A produção é de Camisa Listrada com distribuição da Lança Filmes.

domingo, 21 de março de 2021

Como 23 judeus expulsos de Recife ajudaram a fundar Nova YorK


A bordo do navio Valk, cerca de 600 judeus deixaram Recife, em Pernambuco, expulsos pelos portugueses. Era o fim da ocupação holandesa no Brasil e também da liberdade de praticar sua religião.

Por BBC

18/03/2021 08h30 Atualizado há 3 dias



Mapa do Brasil mostra capitanias em 1630 — Foto: Biblioteca do Congresso dos EUA/BBC

Eles queriam voltar à terra natal — a Holanda, onde o culto do judaísmo era permitido devido ao calvinismo. De lá haviam chegado mais de duas décadas antes, quando os holandeses conquistaram parte do Nordeste brasileiro — de olho na produção e comércio do açúcar.

Mas uma tempestade desviou-os do caminho e o navio foi saqueado por piratas.

O grupo foi resgatado por uma fragata francesa e levado à Jamaica, então colônia espanhola, e acabou preso por causa da Inquisição espanhola.


Mas, graças à intervenção do governo holandês, foram libertados e, por motivos financeiros, parte deles seguiu para um destino mais próximo do que a Europa: a colônia holandesa de Nova Amsterdã, atual Nova York, então um mero entreposto comercial.


Vista de Mauritsstad (Recife) em 1645 — Foto: Wikicommons/BBC



Ali formaram a primeira comunidade judaica da América do Norte e contribuíram para o desenvolvimento da cidade. Atualmente, Nova York é a segunda cidade com o maior número de judeus no mundo, atrás apenas de Tel Aviv, em Israel.


Mas essa história rocambolesca não começa em 1654, ano em que Portugal derrotou os holandeses e retomou o controle do Nordeste, provocando, por consequência, a expulsão dos judeus, temerosos com a Inquisição.




Imigração judaica




Cerco holandês a Olinda e ao Recife — Foto: Wikicommons/BBC


A imigração judaica ao Brasil remonta à época do descobrimento, com os chamados "cristãos novos", judeus que foram obrigados a se converter ao cristianismo na Península Ibérica devido à perseguição pela Igreja Católica.


Na então maior colônia portuguesa, alguns deles abdicaram das práticas judaicas. Outros as mantinham às escondidas.


Livro de Daniela Levy foi resultado de 10 anos de pesquisas — Foto: Daniela Levy/BBC


Mas foi em fevereiro de 1630 com a ocupação holandesa que os judeus dos Países Baixos, alguns dos quais descendentes dos que haviam fugido da Península Ibérica rumo à Holanda, chegaram ao Brasil, diz à BBC News Brasil a historiadora Daniela Levy, autora do livro De Recife para Manhattan: Os judeus na formação de Nova York (Editora Planeta), que demandou 10 anos de pesquisa. Levy investigou inicialmente o tema para sua dissertação de mestrado, na Universidade de São Paulo (USP).


"Os judeus que vieram ao Brasil eram descendentes dos cristãos novos que se mudaram para a Holanda um século depois da conversão forçada pela Inquisição. Naquele país, eles puderam retornar ao judaísmo, recuperando tradições e reorganizando-se enquanto comunidade", explica Levy.


Muitos desses judeus holandeses integravam a Companhia das Índias Orientais, uma empresa de mercadores fundada em 1602 e cujo objetivo era acabar com o monopólio econômico da Espanha e de Portugal.


No Recife, eles foram abrigados por parentes aqui já estabelecidos, mas constituíram sua própria comunidade, na qual podiam, enfim, professar sua religião em paz, dedicando-se ao comércio, à botânica e à engenharia.


Construíram escolas, sinagogas e cemitério, dando sua contribuição ao enriquecimento da vida cultural da região.


Olinda, então cidade mais rica do Brasil Colônia, foi saqueada e destruída pelos holandeses, que escolheram Recife como a capital da Nova Holanda. O mapa de Nicolaes Visscher mostra o cerco a Olinda e Recife em 1630 — Foto: WIKICOMMONS/BBC


A primeira sinagoga das Américas, Kahal Zur Israel, foi fundada ali, ocupando um dos casarões da "Rua do Bom Jesus", então chamada de "Rua dos Judeus", e reinaugurada em 2002 após restauração.



As estimativas sobre o número de judeus no período holandês variam muito, entre 350 e 1.450. O número é expressivo considerando que cerca de 10 mil pessoas viviam na região.


Segundo Levy, a isso não só se deveu ao fato de que a Holanda era calvinista, permitindo a liberdade de de culto, mas também graças a Johan Maurits van Nassau-Siegen, ou Maurício de Nassau, militar que governou a colônia holandesa no Recife de 1637 a 1643.


"A Holanda era um país protestante e abriu suas portas para outras religiões quando se tornou independente da Espanha. Foi então quando os cristãos novos saíram de Portugal e foram para lá. Existiam alguns calvinistas que tinham animosidades contra os judeus, mas, de forma geral, a política holandesa era de tolerância religiosa", diz Levy.


Kahal Zur Israel foi primeira sinanoga das Américas — Foto: WIKICOMMONS/BBC


"Maurício de Nassau, um grande humanista, defendia a visão de que o bom convívio de grupos de diferentes religiões seria politicamente mais proveitoso, e também do ponto de vista econômico", acrescenta.


Com o intuito de transformar Recife na "capital das Américas", Nassau investiu em grandes reformas, tornando-a uma cidade cosmopolita. Apesar de benquisto, ele acabou acusado por improbidade administrativa e foi forçado a voltar à Europa em 1644.


Maurício de Nassau transformou Recife na cidade mais cosmopolita das Américas — Foto: WIKICOMMONS/BBC



Após o fim da administração Nassau, a Holanda passou a exigir a liquidação das dívidas dos senhores de engenho inadimplentes, o que levou à Insurreição Pernambucana e que culminaria, mais tarde, com a expulsão dos holandeses do Brasil, em 1654.


Na prática, mesmo depois de terem sido derrotados, os holandeses receberam dos portugueses 63 toneladas de ouro para devolver o Nordeste ao controle lusitano no século 17.


O pagamento envolvia dinheiro, cessões territoriais na Índia e o controle sobre o comércio do chamado Sal de Setúbal, segundo disse à BBC News Brasil em 2015 Evaldo Cabral de Mello, historiador e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL).


O montante equivaleria a cerca de 500 milhões de libras esterlinas (R$ 4 bilhões) em valores atualizados, de acordo com Sam Williamson, que fez o cálculo na ocasião a pedido da reportagem. Williamsom é professor de economia da Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, e cofundador do Measuring Worth, ferramenta interativa que permite comparar o poder de compra do dinheiro ao longo da história.


Os judeus que aqui haviam fincado raízes por aqui se viram sem alternativa. Receberam um ultimato do então governador da região, Francisco Barreto de Menezes: três meses.


Alguns deles fugiram o Sertão. Outros decidiram voltar à Holanda — dando início à epopeia que abre esta reportagem.


Cemitério antigo judeu em Nova York — Foto: Biblioteca do Congresso dos EUA/BBC



Após a intempérie com os piratas e a prisão na Jamaica, 23 deles, entre os quais famílias com crianças nascidas no Brasil, partiram rumo a Nova Amsterdã.


Registros populacionais da Prefeitura de Nova York mostram que eles chegaram em setembro de 1654, mas não foram "bem recebidos", conta Levy.


A então colônia holandesa era insignificante, quase deserta e governada por um calvinista fanático, Peter Stuyvesant, que impôs várias dificuldades aos recém-chegados.


"Stuyvesant não gostava de judeus. Ele não queria permitir a entrada deles. Mas a comunidade judaica da Holanda interferiu a favor deles e eles foram aceitos", diz Levy.


"O restante do grupo - que havia ficado preso na Jamaica - acabaria se juntando aos 23 posteriormente", acrescenta.


Monumento homenageia primeiros judeus a chegarem a Nova Amsterdã — Foto: Daniela Levy/BBC


A duras penas, os 23 judeus conseguiram sobreviver a partir do comércio, que logo cresceu, atraindo mais judeus para a cidade, que viria a mudar de nome (para Nova York) em 1664.


Depois da guerra de independência americana, seus descendentes alcançaram plena cidadania. Um deles, Benjamin Mendes (1745-1817) fundou a Bolsa de Nova York.


Na Grande Maçã, um monumento, chamado Jewish Pilgrim Fathers, rende homenagem aos Henrique, Lucena, Andrade, Costa, Gomes e Ferreira que ajudaram a fundar e desenvolver a cidade.


Recentemente, essa saga deu origem a um novo livro, Arrancados da Terra - Perseguidos pela Inquisição na Península Ibérica, do escritor e jornalista Lira Neto (Editora Companhia das Letras).



Placa homenageia primeiro cemitério judeu em Nova York — Foto: Daniela Levy/BBC


Após a ocupação holandesa, imigrantes judeus começaram a chegar ao Brasil em 1810, oriundos, em sua maioria, do Marrocos. Eles se estabeleceram principalmente em Belém, onde fundaram a segunda mais antiga sinagoga do Brasil, que continua ainda hoje em pleno funcionamento. Ali também construíram o primeiro cemitério israelita do país.


A partir de então, a imigração judaica se intensificou culminando com seu apogeu na primeira metade do século 20, após a 2ª Guerra Mundial. Além do Nordeste, Sul e Sudeste foram os principais destinos. Os imigrantes partiram, na maior parte, da Europa e de alguns países árabes.




Dia Nacional da Imigração Judaica




Batalhas dos Guararapes levaram ao fim do domínio holandês — Foto: WIKICOMMONS/BBC



Nesta quinta-feira, dia 18 de março, comemora-se o Dia Nacional da Imigração Judaica.


A data que celebra a contribuição do povo judeu na formação da cultura brasileira foi criada por um projeto de lei de autoria do então deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), e sancionado em 2009.


Para marcar a ocasião, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) vai promover uma "live" reunindo Itagiba e o ex-chanceler Celso Lafer, professor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).


Palácio de Friburgo, construído Maurício de Nassau entre 1640 e 1642, foi demolido no século 18 — Foto: WIKICOMMONS/BBC


"O Brasil permitiu que imigrantes judeus reconstruíssem suas vidas com acolhimento e liberdade, e nossa comunidade, pequena, mas diligente, retribuiu com muito amor e trabalho. Aqui criamos nossas famílias, criamos empresas, desenvolvemos carreiras profissionais nas mais diversas áreas de atuação e conhecimento", diz Claudio Lottenberg, presidente da Conib.


"Por isso a comunidade judaica brasileira está tão bem integrada à comunidade maior de brasileiros, com diversidade e dedicação ao país generoso que acolheu nossos pais e avós", acrescenta.


Atualmente, o Brasil possui a segunda maior comunidade judaica da América Latina, com cerca de 120 mil cidadãos.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Como encontrar a lista de nomes de imigrantes italianos que vieram para o Brasil




Vista do movimento do porto de Imperia, Ligúria
Como encontrar o registro de imigrantes italianos no Brasil

O registro da entrada de imigrantes italianos no Brasil pode ser localizado, utilizando diferentes bancos de dados. Para obter o documento que comprove a nacionalidade de um antepassado estrangeiro, é necessário saber o porto de entrada, o nome do navio, a data de desembarque, o nome do estrangeiro, o número da página e da ordem onde se encontra o estrangeiro na lista. O Arquivo Nacional, com base nessas informações, emite gratuitamente a certidão de desembarque do imigrante. A solicitação pode ser feita de forma presencial ou a distância.

Como descobrir meus antepassados italianos

O usuário que deseja localizar informações sobre o seu antepassado italiano pode recorrer aos conjuntos documentais custodiados pelo Arquivo Nacional, que é detentor de milhares de documentos sobre estrangeiros no Brasil. O cidadão deve seguir o seguinte roteiro de pesquisa.

Em primeiro lugar, o usuário deve consultar na base de dados SIAN – Sistema de Informações do Arquivo Nacional, as listas de entradas de estrangeiros nos portos brasileiros. Nessa base podem ser encontradas listas dos seguintes portos e períodos:

Portos - Datas Limites

Aquidauana 1940
Belém 1939 - 1962
Barra de Quarai 1941
Corumbá 1940 - 1964
Esperança 1937 - 1951
Florianópolis 1939 - 1953
Foz do Iguaçu 1943
Guajará Mirim 1946 - 1954
Manaus 1938 - 1964
Paranaguá 1946 - 1956
Porto Esperança 1937 - 1951
Porto Murtinho 1941 - 1954
Quaraí 1940 - 1953
Recife 1920 - 1961*
Rio de Janeiro 1875 - 1964
Salvador 1939 - 1952
Santos 1891 e 1894-1982*
São Francisco do Sul 1928 - 1930
Uruguaiana 1939 - 1945

No SIAN, o usuário deve procurar pela documentação dos órgãos federais responsáveis pelo controle da entrada de estrangeiros no Brasil, que são os seguintes:


- Serviço de Polícia Marítima Aérea e de Fronteiras – código BS (para o Porto de Santos) e a Divisão de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras – código OL (para os demais portos). Nesse último, deve ser localizado o porto de chegada e verificar uma lista com os nomes dos navios, locais de partida e ano de chegada das embarcações.

Instruções para realizar a pesquisa:

1. Faça um cadastro e crie um login no site Gov.br

2. Após fazer um cadastro, você será direcionado para o site do SIAN . Clique no menu "Fundos/Coleções" na barra superior, e depois sobre "Pesquisa Multinível".

3. No campo "Código de referência", digite "OL" e clique em "Pesquisar".

4. Na primeira página da pesquisa, surgirá "BR RJANRIO OL - Divisão de Polícia Marítma, Aérea e de Fronteiras" para ser acessado.

5. Acesse "Relações de passageiros em vapores".

6. Acesse o porto que deseja pesquisar, como "Rio de Janeiro".

7. Na páginas que se abrem as relações de vapores estão em ordem cronológica crescente.Para saber mais, clique em "Ver detalhes"; para visualizar a listagem, clique em "Ver arquivo digital".



Panorama do Rio de Janeiro no qual se vê a igreja da Candelária, a Alfândega e os trapiches do porto. Litografia de Deroy sobre fotografia de Victor Frond. Charles Ribeyrolles e Victor Frond. Brazil pitoresco: história, descrições, viagens, instituições, colonização. Rio de Janeiro: Tipografia Nacional, 1859-1861. Fonte: Arquivo Nacional

Como encontrar a lista de nomes de imigrantes italianos que vieram para o Brasil


Uma segunda opção de pesquisa para encontrar informações sobre a chegada do imigrante italiano no Brasil é a plataforma digital Entrada de Estrangeiros no Brasil – Porto do Rio de Janeiro. A base de dados é composta por cerca de 1,3 milhão de nomes de imigrantes que entraram no país, entre 1875 e 1910, ou seja, na primeira fase da grande leva de imigração.

Nela, o usuário encontrará uma introdução sobre o projeto, o manual de utilização e as áreas de consulta e de validação de certidões. A busca pode ser feita pelo nome do imigrante, nome do navio, data de entrada, nacionalidade, nível de instrução, religião, profissão, estado civil, local de procedência e local de destino do imigrante no Brasil .

A partir dessas informações, o interessado poderá solicitar ao Arquivo Nacional uma certidão de desembarque do imigrante italiano.

Uma terceira opção de busca para localizar um documento é consultando o Registro Nacional de Estrangeiros – RNE, também conhecido como “Modelo 19”, que foi instituído de forma obrigatória em 1938, durante o Governo Getúlio Vargas, para todos os estrangeiros com menos de 60 anos que residiam no país. No Arquivo Nacional é possível encontrar prontuários de estrangeiros, relativos ao período de 1939 a 1987, informando o nome completo do estrangeiro, sua filiação e a cidade onde teria sido feito o registro.

O acervo de prontuários de estrangeiros está distribuído nas duas sedes do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro e em Brasília, e podem ser solicitados de forma presencial ou pelo atendimento a distância. Os prontuários feitos nas regiões Sul e Sudeste se encontram no Rio de Janeiro, já os prontuários das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, se encontram em Brasília. Se o registro foi realizado na cidade de São Paulo, é necessário informar também o número do RNE, que pode ser obtido no Arquivo Público de São Paulo.



Muitos agricultores italianos que emigraram para o Brasil no século XIX foram transportados para as grandes fazendas de café do Vale do Paraíba fluminense e paulista, onde iniciariam um movimento de substituição da mão de obra escrava. Cultura do café nas fazendas da Serra dos Órgãos. Karl Friedrich Philipp von Martius. Fonte: Arquivo Nacional

Uma quarta opção é a consulta aos processos de naturalização de estrangeiros. O Arquivo Nacional detém processos de 1823 a 1959 e a pesquisa só pode ser feita, por meio dos setores de atendimento presencial e a distância, no Rio de Janeiro, desde que o usuário informe nome completo do estrangeiro naturalizado e sua filiação. Uma vez localizado o processo, o Arquivo Nacional emite cartas negativas de naturalização, porém o documento não é válido como certidão. A fim de obter uma certidão (positiva ou negativa) de naturalização, assim como para verificação de processos posteriores a 1959, o usuário deverá solicitá-la ao Departamento de Migrações do Ministério da Justiça.


Uma quinta opção é a consulta à documentação do Departamento Nacional de Povoamento que reúne um conjunto documental sobre movimentos migratórios no Brasil, como os registros de imigrantes na Hospedaria da Ilha das Flores, entre 1883 e 1932; registros de imigrantes na Hospedaria de imigrantes do Pinheiro entre 1892 e 1893; registros de imigrantes na Agência Central de Imigração entre 1893 e 1897, e todo o ano de 1902; além de movimentos de imigrantes no Porto do Rio de Janeiro entre 1877 e 1896.

O Arquivo Nacional possui ainda outros importantes conjuntos documentais sobre estrangeiros no Brasil como a Inspetoria Geral de Terras e Colonização e a Polícia da Corte. O primeiro reúne documentos sobre imigrantes, como ofícios, relações de imigrantes, localização de trabalhadores estrangeiros (e brasileiros) em províncias, entre outros do período de 1819 a 1890. Já o segundo era o órgão responsável pelo controle de entradas de estrangeiros e pela expedição de passaportes, cujo acervo compreende o período entre 1808 e 1866. Tais documentos podem ser localizados por meio da base de dados SIAN e da base de dados Movimentação de Portugueses no Brasil – 1808-1842.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Brasil celebra os 147 anos da imigração italiana, neste domingo



21 DE FEVEREIRO: DIA DE CELEBRAR A IMIGRAÇÃO ITALIANA NO BRASIL


Os 147 anos da imigração italiana no Brasil são comemorados neste domingo, dia 21 de fevereiro. A data marca a chegada do navio La Sofia a Vitória.

O desembarque do navio italiano na capital do Espírito Santo levou à criação do Dia Nacional do Imigrante Italiano. A data foi criada por meio de projeto de lei no Senado, em 2008.



O navio La Sofia deixou o Porto de Gênova em 3 de janeiro de 1874, trazendo o chefe dessa expedição ao Brasil, Pietro Tabacchi, além de lavradores, um capelão e o auxiliar Pietro Casagrande.

Pietro Tabacchi era um italiano da região de Trento, que já tinha vindo para o Brasil em 1851 e adquirido uma fazenda, batizada de Nova Trento, na cidade de Santa Cruz.

Em 1974 ele foi autorizado pelo governo do Espírito Santo a trazer imigrantes italianos para trabalhar em suas terras.

Ao todo, essa expedição trouxe 386 imigrantes da região do Tirol Italiano.
Primeiros imigrantes italianos

Apesar de o dia 21 de fevereiro ser um marco da imigração italiana, os italianos começaram a chegar antes ao Brasil. Entre 1860 e 1920, 7 milhões de italianos desembarcaram no país.
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Até meados do século XIX, havia grandes diferenças socioculturais na Península Itálica.

O processo de unificação durou 20 anos e resultou em mudanças no trabalho do campo.

Associadas ao desenvolvimento industrial, essas mudanças levaram fome e desemprego a milhares de camponeses e artesãos.

Desse modo, muitos camponeses aceitaram o convite do governo brasileiro para trabalhar nas lavouras do país, principalmente nas regiões sudeste e sul.

Esses italianos eram, na maioria, da região do Vêneto, norte da Itália.

Apesar de a região sul do Brasil ter recebido os primeiros italianos, o sudeste recebeu o maior número de imigrantes oriundos da Itália.

Isso se deve à expansão das fazendas de café no Estado de São Paulo.
Fenômeno da imigração italiana

A diáspora italiana foi o maior movimento migratório espontâneo da história.

Entre 1880 e 1976, cerca de 13 milhões de italianos foram residir em outros países.

Para o governo italiano, a emigração foi positiva, pois os emigrantes mandavam dinheiro para os parentes que ficavam no país.

O Brasil possui hoje a maior população italiana fora da Itália.

Segundo a Embaixada da Itália no Brasil, aproximadamente 27 milhões de descendentes de italianos residem no país.

Eles estão distribuídos principalmente pelo sudeste e sul do Brasil – quase 15% do total da população brasileira.